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EDITORIAL

Ocupações de terra em Mogi

A ocupação em um terreno municipal valorizado após a construção da avenida das Orquídeas alerta sobre o desamparo municipal diante de invasões de terra

O DiárioPublicado em 30/06/2021 às 18:08Atualizado há 1 mês
Ocupação desafia autoridades / Foto: Eisner Soares / O Diário
Ocupação desafia autoridades / Foto: Eisner Soares / O Diário

A caminho de completar quatro meses, a Ocupação Iluminados segue como um desafio ao governo muncipal. Com dezenas de moradores e barracos, muitos deles, sem ocupantes, ainda não há no horizonte uma saída para uma questão social que nos faz lembrar o que a cidade se viveu, no passado, com a chegada das primeiras famílias ao Jardim Nova União, atualmente um bairro regularizado após uma intensa batalha jurídica e administrativa.

Há um hiato de 40 anos entre os dois casos de conflito de terra que diferem, a começar, pelo imóvel envolvido. O atual pertence à Prefeitura Municipal e deveria estar ocupada por uma empresa que recebeu o espaço para desenvolver atividade fabril - mas, não cumpriu o acordado. No Nova União, as terras eram de propriedade privada.

As políticas habitacionais para o atendimento ao cidadão que não tem onde morar foram praticamente paralisadas no Brasil. A demanda  reprimida por moradia popular continuará pressionando outras cidades com casos como a desta ocupação tem uma região projetada para o desenvolvimento industrial e sem condições mímimas para receber tantos moradores. 

Na Justiça, a Prefeitura garantiu, em liminar, o congelamento da ocupação. Esse é o primeiro ato de uma história que pode perdurar por mais  tempo. Há de se buscar alternativas para a retirada das famílias com algum cobertor social, em meio à pandemia? A Prefeitura afirma que vem buscando uma saída, a partir do perfil social desses moradores. Já se sabia que a maioria não é da cidade, e que crianças e adolescentes estão em situação de alta vulnerabilidade, sem acesso à escola e creche, e vivendo em condições insalubres.

Moradores do entorno da ocupação tem registrado problemas de convivência como os incêndios, aparentemente provocados, para a limpeza da vegetação e, talvez, a ampliação do total de abrigados no lugar.

O diálogo aberto pela Prefeitura pode resultar em avanços, mas terá de oferecer base concreta. Para onde essas pessoas irão? 

 Essa ocupação, em terreno público supervalorizado após a construção da Avenida das Orquídeas, alerta sobre o desamparo municipal diante de invasões irregulares de terra, e a necessidade de se criar políticas para atender essa parcela da sociedade. Até o passado recente, tentativas diárias de ocupação eram registradas. A cidade está sujeita a arcar com os custos sociais de outras situações como essa.

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