Algumas horas antes do “tratoração”, a manifestação que uniu ontem agricultores de dezenas de cidades paulistas, a coordenação do movimento rapidamente mobilizou entidades e sindicatos e decidiu pela manutenção do ato púlbico após as declarações do governador João Doria (PSDB) sobre a suspensão do aumento do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para alimentos e medicamentos genéricos.

Se houve uma tentativa de se enfraquecer a luta, o tiro saiu pela culatra. O “tratoraço” não apenas aconteceu, como reafirmou a bandeira da categoria que promete cobrar o fim de outras partes do pacote fiscal, como o fim da isenção do imposto para a energia elétrica e a cobrança do tributo na comercialização de produtos, que afeta diretamente os hortifrutigrangeiros de Mogi e Região.

Há tempos, o campo não saia à rua em um protesto organizado pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. No ano passado, a categoria já tornou publico o descontentamento com as políticas da Secretaria de Estada da Agricultura, que decidiu fechar as  chamadas Casas de Agricultura em cidades paulistas.

Diante dessa grave ameaça de perdas financeiras e do fim definitivo de postos de trabalho, como disse o presidente do sindicato mogiano, Gildo Saito. o setor parece ter declarado guerra ao Governo do Estado.

Lideranças e produtores consideraram um acinte a tentativa de desmobilizar o grupo, pouco antes do protesto. “A notícia de suspensão dessa lei não nos agrada, Essa lei tem de ser cancelada”, reforçou Saito. 

Já a produtora rural Simone Silotti, de Quatinga, afirma que o aumento produz um efeito cascata prejudical à vida financeira de todas as pessoas Ela  reclama da falta de diálogo em assunto tão sensível. Os produtores rurais sequer foram ouvidos. “Houve uma grave falha de comunicação uma falta de escuta, de empatia, persuasão e  planejamento”, disse. A alta do tributo foi discutida quando a pandemia, sabia-se, ainda estava longe de acabar.

Um dos melhores exemplos de associativismo se encontra no campo. Em Mogi, a renovação de nomes à frente de propriedades rurais oxigena a participação política da agricultura na sociedade. A manifestação  que percorreu estradas rurais a partir do Cocuera até a sede do Sindicato Rural confirma a chegada de novos jogadores nesta arena. Algo que poderá ser um calo para o governador, e também os gestores públicos que desconsideram a agenda agrícola.