O menor número de frequentadores no Pico do Urubu, ponto turístico mais de fato do que de direito, não trouxe trégua para um antigo e insolúvel problema. Ali, os atos de vandalismo começaram antes mesmo do término das obras de revitalização de um dos pontos mais bonitos e atrativos de Mogi das Cruzes. 

O Pico do Urubu é um dos presentes da topografia da cidade, que constrói a melhor e mais conhecida vista panorâmica da cidade e do Alto Tietê. Em determinados dias, é possível divisar as cidades vizinhas, o encadeamento de montanhas da Serra do Mar.

Esse trunfo é desconsiderado pelo turismo, um filão da economia subestimado pelo poder público. O Pico do Urubu faz sucesso por si mesmo. Até a revitalização do espaço, com a construção de um centro de visitantes que permanece vazio e sujo, de um mirante, o visitante não dispunha de qualquer equipamento.

Algum tempo após a execução da obra, o vandalismo recorrente mostra mais do que a violência praticada contra o patrimônio público e o desperdício do dinheiro público pago. Mostre o desinteresse do governo municipal com o lugar e a falta de pulso para encontrar respostas eficientes, que não seja o reforço das rondas da Guarda Municipal – o que, se sabe, não inibiu uma quadrilha de roubar carros ali.

O mais grave dos casos terminou com a morte do policial militar Felipe Murakami da Silva, que foi abordado quando estava no Pico do Urubu. Esse bando, felizmente, foi identificado e preso.

Porém, o caso que acabou tragicamente com a morte do tenente Murakami reforça a necessidade de se fazer mais pela segurança.

Ali está um ponto turístico com vocação natural para as práticas esportivas e de contemplação. Mas, o uso desse espaço carece de ordenamento. Por exemplo, o lugar será aberto só durante o dia? Aos finais de semanas? E quando isso acontecer, contará com segurança, banheiro, guias que orientem o uso das trilhas? Não estamos dizendo que essa é a melhor solução. Tratamos de provocar alguma discussão que mude os rumos do que não está bem. O vandalismo está de mãos dadas com a marginalidade. Ninguém pode depredar um espaço público ou privado, impunemente. Se assim age, é porque aproveita a ocasião.

Os recursos financeiros investidos vão escorrer pelo ralo, sem a presença do poder público e uma ação que trate, a sério, o Pico do Uburu como uma aposta para o turismo.