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EDITORIAL

O BB de César fecha, o futuro chega

Cidades inteligentes terão de incluir a população que envelhece e é economicamente ativa, e os pobres, que são os órfãos da educação formal e do acesso à internet

O DiárioPublicado em 15/04/2021 às 18:28Atualizado há 27 dias
Foto: reprodução / Google Maps

Com exclusividade, O Diário noticia que o fechamento definitivo  da unidade do Banco do Brasil,  no distrito de César de Souza, será no dia 17 de maio. O fim da agência integra o plano de reorganização da instituição que fechará mais de 360 agências e demitirá 5 mil pessoas no País.

O enxugamento da estrutura física dos bancos tende a se acelerar com a popularização dos canais digitais, a segurança das transações feitas na palma da mão, mas há de se ficar de olho, para que o consumidor não seja o grande prejudicado.

Não deixa de ser simbólica a desativação da unidade em César de Souza, que começou, faz pouco tempo, a experimentar a ampliação da rede de serviços públicos e particulares em resposta ao crescimento real do número de moradores e a expansão urbana com o uso de áreas livres, que abrigam empreendimentos residenciais e comerciais.

No meio da pandemia, a decisão do BB causou pouquíssima reação de quem poderia tentar intervir em nome dos muitos clientes moradores e trabalhadores do distrito.

Mais do que apoio popular, a decisão do governo de enxugar e economizar com a redução das agências faz parte de algo incontornável. A automatização das transações financeiras é caminho sem volta. O que, no entanto, exigirá atenção ao cliente ainda desabilitado para entrar de cabeça nessa nova era.

Por outro lado, as cidades começarão a viver as transformações do autoatendimento. E terão de se preparar para capacitar os seus moradores e, principalmente, o novo mercado de trabalho que exigirá mais programações e desenvolvedores de sistemas digitais do que bancários, atendentes, vigilantes, caixas, etc.

O conceito é o das cidades inteligentes. Na prática, os municípios e seus gestores terão árduo desafio pela frente. Eles terão de incluir digitalmente a população que envelhece e é economicamente ativa, e as parcelas mais pobres que estão mais distantes da educação formal e de ferramentas como um bom celular e o acesso à internet. 

O grande diferencial das cidades será acertar nas políticas de educação e de profissionalização. As novas gerações chegarão a um mercado que eliminará dezenas de cargos e funções conhecidas atualmente. 

O fim do BB de César, que vem se confirmando como o vetor do crescimento da zona Leste da cidade, possui, na verdade, outros signos marcantes quando se olha para o futuro e os reflexos socioeconômicos que uma decisão como essa provoca.

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