Já se anuncia um projeto de lei para penalizar, inclusive com prisão, quem for flagrado furando a fila da vacina da Covid-19. O Brasil sequer possui doses suficientes para a largada e tem a atenção e preocupações voltadas para o controle de quem será imunizado. É uma perda de tempo que poderia ser revertida na proteção de vidas. Cidades como Manaus, que entrou em colapso pela falta de oxigênio para os pacientes graves, vivem o cúmulo dos absurdos: são as que mais precisam  e a vacinação foi suspensa por causa dos fura-filas.

Prisão seria a solução? Essa é mais uma questão polêmica cotada para embalar as discussões quando todos assistem estarrecidos a dor dos familiares que perdem entes queridos para o coronavírus ou a difícil escolha de médicos sobre quem vai viver e quem vai morrer asfixiado por falta de equipamentos.

 Enquanto isso acontece, os espertos querem tirar vantagem. O ideal seria ter vacinas para todos. Não há condições hoje para isso. E nem é possível admitir que alguns passem na frente de quem está colocando a vida em risco para tratar os doentes.

 Não há vacina para todos. Por isso, o país depende de regras. A escolha dos primeiros a serem vacinados segue o que indica a ciência: deve ser protegido quem está mais exposto aos riscos, os profissionais da saúde, idosos, professores, agentes públicos, e etc. É a mesma lógica da vacina contra a gripe, que também não atende toda a população.

Tomemos como base Mogi das Cruzes. Os primeiros lotes não dão conta de imunizar nem mesmo a metade dos profissionais da linha de frente do enfrentamento da pandemia, ou seja, médicos, enfermeiros e outros colaboradores da rede hospitalar pública e privada.  Não se sabe quando os idosos - os infectados que mais morrem, serão atendidos. 

Acerta o Ministério Público local em buscar informações sobre esse processo. Cidadãos sem um pingo de moral e consciência social estão em todas as cidades. Entender como a Prefeitura de Mogi vai agir para inibir as irregularidades é obrigação do poder judiciário e também do legislativo. O mais terrível disso é constatar que a vacinação se torna um problema policial e judicial. Esse deveria ser um processo tranquilo para que as autoridades e a sociedade se empenhassem em buscar respostas para os demais reflexos da pandemia, a morte dos mais velhos, a economia quebrada, os estudantes da rede pública praticamente sem aula, os hospitais superlotados...