Desde a eleição de 2016, o número de cargos ocupados por mulheres nas câmaras municipais subiu de 10 para 12 com a acomodação de suplentes no decorrer do mandato. Mesmo assim, a participação feminina não chega a 10%, para ser exato: 7,5% entre as 160 cadeiras do legislativo regional.

Na atual disputa, de acordo com a Justiça Eleitoral, são 805 candidatas e 2,4 mil concorrentes do sexto masculino. O percentual feminino nesta corrida é representado por 33,4%, o que compete com o que determina a legislação e segue longe de uma perspectiva mais igualitária e representativa. A população feminina é maior do que a masculina.

Na última eleição, houve uma acentuada desidratação da participação das mulheres na política. Para ficar em Mogi, a cidade elegeu apenas Fernanda Moreno. A bancada anterior era mais robusta e contava com Odete Souza, Vera Rainha e Karina Perillo.

Em contraposição, desde 2016, é perceptível o crescimento da presença das mulheres em campos de discussão gabaritados sobre a desigualdade de gênero e raça no acesso ao trabalho, renda, educação e etc. E isso pode ajudar quebrar essa tradição bem delimitada até agora.

Da noite para o dia, não há como mudar o que Fernanda Monteiro descreveu em uma de nossas últimas reportagens sobre o desinteresse delas pela vida pública. Elas, contou a vereadora, enxergavam a política como “uma coisa machista, pesada, corrupta e não como forma de conseguir conquistar direitos, fazer algo positivo para a Cidade e o País”.

Mesmo com um calendário tão contaminado pela pandemia, essa questão está sendo discutida em alguns fóruns, que podem formar a opinião pública e apontar para um novo desenho na política. Caso do que fazem as jornalistas Ingrid Mariano e Melissa Roberta Ferreira, na série de entrevistas com mulheres, lideranças e candidatas de toda a região disponível no @mulheresnapolitica, no Instagram.

O número de candidatas na disputa também aumenta a expectativa sobre a decisão final do eleitor em 15 de novembro próximo, principalmente em cidades como Mogi das Cruzes, onde a aposta é de uma renovação do parlamento, acima de médias anteriores. Nomes antigos estão fora da disputa. Além disso, as graves denúncias do Ministério Público contra um quarto dos vereadores atuais podem influenciar a decisão do eleitor. O resultado dessas percepções, no entanto, só saberemos na contagem dos votos.