Mesmo entre os moradores das nove cidades interligadas pela Rota da Luz, ainda há desinformação sobre o traçado alternativo criado em 2016 para reduzir as mortes de peregrinos na perigosa via Dutra, a mais usada pelas romarias que se destinam ao Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba.

A opção com predicados como a segurança e a beleza dos trechos rurais e naturais começa em Mogi das Cruzes e pode ser cumprida em quatro, cinco dias. Quem vai pela Dutra, faz essa escolha porque esse é o caminho mais rápido, e por desconhecer o roteiro de fé, como constata o presidente da Associação Amigos da Rota da Luz, Ubirajara Nunes Pereira de Souza.

Segundo ele, mesmo entre potenciais comerciantes e empreendedores, a Rota da Luz ainda não se firma como um corredor de valor turístico e econômico. De olho nessa comprovação, a entidade e secretarias de Turismo, como a de Mogi das Cruzes, começam a tirar do papel alguns planos para divulgar melhor o projeto lançado por Lu Alckmin para salvar vidas – todos os anos, peregrinos morrem atropelados na via Dutra.

Duas medidas interessam Mogi das Cruzes para alterar o ponto de partida das romarias e grupos, inclusive de turistas e ciclistas de outros estados e estrangeiros. Uma delas é a integração das rotas do Sal, que possui 50 quilômetros e parte de São Bernardo do Campo, e da Luz.

A Rota do Sal foi um dos primeiros caminhos antigos de São Paulo. No século XVII, passavam por ela os tropeiros que levavam o sal do litoral para o planalto, e também quem transportava clandestinamente, as pedras preciosas e ouro.

Em meio à Mata Atlântica, esse roteiro contém estradinhas de terra e de muitas histórias entre Quatinga, Taiaçupeba e Biritiba Ussu, um trecho de Biritba Mirim e… Sabaúna, que integra a Rota da Luz.

Outra ideia é antecipar a saída dos caminhantes de Mogi para Itaquera, no Santuário Dom Bosco, com tradição em romarias a pé até Aparecida.

Tudo isso é sabido. Falta alargar os horizontes e integrar pontas soltas, em políticas públicas focadas no promissor turismo religioso, esportivo e ecológico. Falta ordenar o que já vem acontecendo para Mogi não queimar, na largada, as possibilidades de renda, emprego e novos negócios. O turismo sem ordem e estrutura fere o que esses caminhos têm de melhor: a segurança, a tranquilidade e as belezas naturais.