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EDITORIAL

Mais vacina, menos política

A desorganização fere a imagem do Governo do Estado que vinha somando pontos positivos até com o desenvolvimento de uma vacina brasileira

O DiárioPublicado em 25/06/2021 às 00:00Atualizado há 1 mês
"A esperança é sofrida. Tem ou não tem vacina no Estado?" / Divulgação - Governo de SP
"A esperança é sofrida. Tem ou não tem vacina no Estado?" / Divulgação - Governo de SP

Constrói um ambiente arenoso e preocupante a politização do enfrentamento da pandemia no atual ponto da jornada quando começam a chegar e a serem fabricadas mais vacinas e o país alcança uma boa procura nos postos. Isso nos faz deduzir que mesmo quem flerta com o negacionismo e ataca a ciência, na dúvida, está se fiando no imunizante contra a Covid-19.

Não há como separar a política dessa fatigante crise sanitária tramada pelo coronavírus. A política dimensiona a vida humana. 

A história de outras pandemias está aí, para qualquer  um pesquisar e conhecer como os políticos não aprenderam - e nem seus conselheiros, com esse tipo de episódio. Foi assim desde a peste negra [1343-1353].

 O Governo de São Paulo, na crise da gripe espanhola, em 1918, desconsiderou as notícias que chegavam do mundo. Após a confirmação dos casos e mortes, pesquisas relatam que autoridades e médicos rapidamente rumaram para o interior do Estado.

O repeteco ocorreu agora. Desqualificar os riscos iniciais foi a conduta de líderes de países como Estados Unidos, Reino Unido e Brasil.  Não era uma “gripezinha”. Alguns destes líderes se reposicionaram com o passar do tempo. Outros, não. Por exemplo, o governo do presidente Jair Bolsonaro encontra eco entre seus seguidores. Mas esse não é o nosso único problema. 

A expectativa lançada pelo governador João Doria sobre a antecipação da vacinação dos grupos etários mais novos desenha quão potentes são os prejuízos da politização do combate a esse vírus. 

A notícia mais esperada pelos paulistas é saber a hora que a vacina vai chegar ao braço.

Os políticos são movidos por promessas, na maioria das vezes, descumpridas. Desde as campanhas, os candidados se valem de juramentos que apenas os eleitos podem cumprir. Tomado o poder, os governantes costumam sofrer de amnésia.

Esse comportamento é repreensível na pandemia que matou mais de meio milhão de brasileiros.

Igualmente ruim é o sentido do amadorismo que sobresssai. De que valem as facilidades para mensurar os dados populacionais e não conseguir prever o número de doses recebidas e de pessoas aptas a receber a vacina? Isso vale para a vacinação em Mogi das Cruzes.

A desorganização fere a imagem do Governo do Estado, que vinha somando pontos com o desenvolvimento da vacina brasileira.

Dá tempo de mudar essa narrativa que machuca a confiança e a paciência do cidadão. A esperança chega com sofrimento. Tem ou não tem vacina hoje? Nós temos um dos piores ritmos de vacinação. Não conseguimos ultrapassar ao menos os 12% de todo o público com a dose completa. Sofrer por vaidade e interesse eleitoreiro de políticos é demais nessa altura desse pesadelo

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