Há exatos dois anos, a cidade de Suzano e toda a região do Alto Tietê foram sacudidas por um dos mais insensatos e absurdos atos de violência de sua história recente. Armados de revólver e armas exóticas, como arco e flechas e uma machadinha da era medieval, dois ex-alunos invadiram a Escola Estadual Professor Raul Brasil provocando a morte de cinco estudantes, uma professora e uma coordenadora, ferindo outras pessoas e deixando toda a comunidade escolar traumatizada.

Os dois rapazes - que antes do ataque à escola já haviam assassinado o tio de um deles, que tinha uma loja de automóveis nas proximidades - haviam firmado um pacto de morte e se mataram ao final da chacina no interior do estabelecimento de ensino.

Dois anos depois, o ato de extrema violência ainda deixou marcas entre estudantes e moradores da cidade, que lutam para espantar as fobias e traumas deixados pelo dia de violência. Verdadeiros mutirões foram realizados para garantir assistência psicológica às pessoas abaladas pela tragédia, enquanto a escola passava por uma completa reforma, recebendo novas salas de aulas, banheiros, um laboratório moderno e até uma área de convivência arborizada. 

Tudo isso com objetivo de deixar para trás as amargas lembranças da tragédia.

A pandemia, no entanto, impediu que a vida em comunidade ajudasse e espantar os fantasmas do 13 de março de 2019. Sem aulas, os estudantes dividem com seus familiares e alguns amigos as lembranças daquele fatídico dia. Alguns continuam traumatizados até agora, como este jornal mostrou em sua edição do último sábado.

E para esses, já não existe mais o apoio estatal, tendo cada um de buscar o tratamento pagando do próprio bolso. Algo que poderia ser contornado com uma ação política dos representantes da cidade junto ao governo estadual.

Além dos dramas e problemas pessoais e existenciais, o episódio deixou lições de segurança que devem ser levadas em conta pelas autoridades policiais, assim como por dirigentes escolares de todo o País.

Exemplos de ações desse tipo, até então, comuns em outros países, especialmente nos Estados Unidos, agora já estão registrados entre nós.

E que sirvam como referência  para que cuidados sejam tomados de maneira que eles nunca mais voltem a se repetir.