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EDITORIAL

Leia o nosso editorial: "Uma fatura cara para Mogi"

Não sem razão, o governador João Doria não responde aos pedidos de audiência para tratar do pedágio. O plano era esse, desde o início: faturar em cima de Mogi

O DiárioPublicado em 10/07/2021 às 18:28Atualizado há 19 dias

Entregue ao Ministério Público há alguns dias, o meticuloso estudo técnico feito pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Mogi das Cruzes documenta ilegalidades e razões contrárias à inclusão de Mogi das Cruzes na concessão das rodovias litorâneas, objeto central da licitação internacional que, dentro de dois meses, terá a entrega das propostas de grupos comerciais interessados em assumir o Lote Litoral, como é chamado esse trecho. 

No dossiê, os engenheiros e arquitetos mogianos decifram tecnicamente informações já divulgadas, como os impactos financeiros, a violação de legislações como o Plano Diretor, o engessamento da mobilidade municipal, com a criação da segunda grande barreira para o tráfego de pessoas e veículos (a primeira, é a linha ferroviária), bem como as diferenças entre os planos inicial, debatido em audiência pública, e o final que embasa a concorrência tão querida pelo Governo do Estado.

Há um dado que merece cada vez mais atenção dos mogianos que já entenderam o pulo do gato proposto pela Artesp, a Agência de Transportes de SP: Mogi será grande mina de ouro da concessão.

O estudo nas mãos do MP assinala que os pedágios do trecho 4, na Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, com cobrança na ida ou na volta para o destino que nem sempre será o litoral, vão arcar, sozinhos,  por 40% da arrecadação prevista para cair nos cofres da concessionária. Os outros 12 pedágios, no trecho litorâneo, que receberá os mais potentes investimentos e melhorias, juntos, completarão os 60% restantes dessa fatura. É isso que está em jogo e que Mogi das Cruzes não pode aceitar.

O pedágio, na cidade, será a caixa registradora para a concessão que beneficiará, com duplicações e novas vias, as cidades do Litoral.

Não sem razão, o governador João Doria não responde aos pedidos de audiência para tratar desse assunto desde 2019. Desde o início, o plano era esse -faturar em cima da rota de Mogi e do Alto Tietê.

 A cidade rejeita pagar por um projeto mal costurado pelos burocratas da Artesp, que sequer sabiam onde ficava a praça de cobrança na Mogi-Dutra no dia em que a licitação pública saiu no Diário Oficial do Estado. Ali, se viu o nível autoritário e os vícios desse processo.

Esse ardiloso plano atende os interesses do capital, de quem vai lucrar durante longos 30 anos. Nesse ponto da batalha, é preciso jogar duro contra o golpe preparado contra os mogianos nos campos jurídico, político e eleitoral. Em 2022, o voto decidirá quem vai ocupar o Palácio dos Bandeirantes e o Palácio do Planalto.

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