A morte do tenente Felipe Murakami Silva, do 31º Batalhão da Polícia Militar de Guarulhos, reforça os cuidados que os frequentadores do Pico do Urubui das Cruzes precisam tomar aos visitar o conhecido ponto turístico e a urgência de se estabelecer uma estratégia de segurança que envolva rondas preventivas e ordinárias no acesso ao local.

Em novembro, em um espaço de apenas 20 dias, três pessoas foram vítimas de ladrões que levaram veículos dos visitantes. Na segunda-feira, o que começou com um sequestro-relâmpago acabou com a morte do tenente em Itaquaquacetuba, para onde os criminosos o levaram, juntamente com a companheira dele, também foi atingida por um tiro, mas conseguiu escapar e acionar a polícia.

Pode haver alguma conexão entre o crime deste início do ano e os de novembro. Esclarecer a autoria desse homicídio será peça decisiva para também preservar os frequentadores do Pico do Urubu.

Com acesso por duas estradas, que levam ao Parque Municipal e à Cruz Século e demais estradinhas que interligam a Serra do Itapeti a bairros como a Moralogia e Jardim Aracy, o caminho para o Pico do Urubu é utilizado por corredores, ciclistas e turistas – esses últimos, normalmente chegam a um dos pontos mais altos do Alto Tietê de carro e moto, além de um restrito número de moradores.

Todos esses visitantes e residentes estão vulneráveis a investidas criminosas. As características do acesso em meio à mata facilita a atuação dos marginais.

Com a recente construção de instalações mais apropriadas para atender aos visitantes, o Pico do Urubu é uma aposta para o desenvolvimento do turismo ecológico e esportivo de Mogi das Cruzes.

A gravidade dessa ocorrência, no entanto, macula a imagem do que deveria já foi um lugar mais seguro e agradável para se visitar e desfrutar das belíssimas imagens em 360 graus que se descortinam a partir dali.

Talvez, seja a hora de melhor ordenar o uso desse espaço. Pensar, quem sabe, em se restringir o horário de acesso a esse ponto turístico, que hoje pode ser visitado a qualquer hora.

Atender a uma demanda específica criada pela trágica morte do policial, que estava de folga, abre os desafios da agenda do turismo e da segurança pública do governo municipal.

Em novembro, este jornal já alertava para a necessidade de se adotar medidas mais rígidas para proteger a vida e o patrimônio dos visitantes. E, tão importante quanto isso, não estragar a imagem desse verdadeiro cartão postal de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê.