Sobram dúvidas e apreensão de pais e professores, e se mantém como certo o distanciamento entre os alunos da escola pública e da particular no acesso à educação no início do ano letivo de 2021.

Até a decisão judicial que suspendeu a volta das aulas presenciais no Estado de São Paulo, na última quinta-feira, as aulas começariam a partir de segunda-feira (1) na rede particular e estadual, em um modelo híbrido e com a presença de um terço dos estudantes nas salas. No sistema municipal, a decisão foi pelo ensino remoto, até que os professores sejam vacinados e a curva dos casos de Covid se estabilize.

Essa indefinição é o pior deste momento tão esperado pelos estudantes. 

É inaceitável deixar os estudantes sem aula – e se for de maneira remota, que seja em modelo eficaz.

 O governo federal sequer fala sobre essa questão. A divisão ideológica torna tudo  mais difícil. E os pais, com razão, ficam reféns da indecisão.

Um apagão do conhecimento e da formação humana e técnica dos cidadãos em idade escolar vai aprofundar o conceito da geração “nem-nem”, usado para identificar os jovens que não trabalham, não estudam, e nem procuram um trabalho.

A crise sanitária acirrou diferenteças entre os alunos de classes sociaisdiferentes e desequilibrou ainda mais o pleno acesso à educação. E escancarou a falta de comando, poder político e comprometimento do Ministério da Educação.

Ainda sem uma imunização em massa, a Prefeitura de Mogi das Cruzes adiou a volta presencial. Na rede particular, mesmo com a opção do ensino híbrido (se isso for liberado), caberá aos pais a decisão de levar ou não levar o filho para a sala de aula.

Será decisão de foro íntimo dos pais. Não há a obrigatoridade de levar o filho à escola. 

Sejamos sinceros: é utopia pensar que 100% de todos os protocolos sanitários serão cumpridos à risca. Cobrar apenas do professor e da escola, essa fiscalização, está fora de ordem. Hoje, o Estado não consegue fiscalizar e nem conscientizar sobre uso da máscara facial. Como cuidar de todos os alunos, dentro de uma sala de aula? Os pais terão de orientar os filhos, quando a escola voltar a abrir parcialmente.

Garantir o mínimo do acesso à educação é uma obrigação do Estado e dos pais. Há de cumprir um pacto pela educação. Essa é a única maneira de cuidar do futuro das novas gerações e da sociedade – que dependerá da formação desses jovens para construir um Brasil menos desigual e injusto, e pautado pela ciência no amanhã.