Um dos mais graves problemas para se enfrentar a pandemia na região do Alto Tietê e em todo País tem sido a imprevisibilidade. Tem faltado às autoridades em geral um pouco mais de atenção para as previsões de alguns cientistas sobre o avanço progressivo do coronavírus e suas novas vertentes junto à população, com inevitáveis reflexos junto às vagas disponíveis em hospitais públicos e privados.

Dispensável falar sobre as estultices da área federal do governo, comentadas, ontem, neste mesmo espaço. Por isso, vamos nos prender a uma questão local que mostra a face da falta de planejamento do governo paulista. 

Na etapa mais aguda da primeira fase da pandemia, este jornal noticiou a existência de uma nova ala, recém-concluída e ainda não ocupada, no Hospital Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no distrito de Jundiapeba, que poderia perfeitamente ser adaptada para atender pacientes com Covid-19.

Alguns políticos chegaram a se movimentar para exigir a ocupação adequada daquele espaço pelos doentes da pandemia, mas o ímpeto foi se arrefecendo na mesma proporção em que a doença dava sinais de afrouxamento, nos últimos meses do ano passado. A chegada das eleições contribuíram para que a ala do Dr. Arnaldo fosse esquecida pelos políticos locais e, principalmente, pela Secretaria de Estado da Saúde, que havia instalado aquele novo espaço com objetivo de atender a dependentes químicos (o que também não aconteceu).

Pois o ano novo começou e a doença passou a contaminar cada vez mais, especialmente os jovens, exatamente os mais abusados e que a subestimaram em festas e aglomerações contínuas. E logo os hospitais se encheram deles. Justo aqueles que levam mais tempo para se recuperar e liberar os espaços nos hospitais onde são atendidos. 

E o mês de março chegou com a notícia de ocupação plena das vagas de Mogi e região.

Só então, o espaço do Hospital Dr. Arnaldo voltou a ser lembrado e o Estado, por fim, anunciou sua intenção de ocupá-las, nesta semana. Mas, por enquanto, ficou apenas no anúncio. 

Não se tem notícia que uma palha ao menos tenha sido movida neste sentido. E a imprevidência continua a prosperar: houve tempo de sobra para se organizar o espaço disponível, o que não aconteceu. 

Agora, com doentes esperando dentro de carros, nas portas dos hospitais que tratam Covid na cidade, completamente lotados, prometem-se leitos, que ainda não existem, na prática.

E é dessa forma que são tratados por aqui os pagadores de impostos, acima de tudo cidadãos. Seres humanos que deveriam merecer um pouco mais de consideração e atenção de nossas autoridades.