Além de acarretar um gravíssimo problema pontual para os trabalhadores que perderam o emprego e as cidades onde mantinha operações, o fechamento das fábricas Ford no Brasil reverbera em outros campos. Uma montadora mantém uma rede de outros negócios e empregos, sobretudo nos segmentos de autopeças - que é forte no Alto Tietê, além de vendas de carros e de peças, transporte, e etc.

A reação dos sindicatos patronal e dos trabalhadores destaca os reflexos esperados na rede de fornecedores encontrados em cidades como Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba.

O mercado de trabalho regional terá impactos com a despedida da Ford do Brasil. Como lembra Renato Rissoni, do Ciesp Alto Tietê,  “os reflexos para a rede de fornecedores são inevitáveis. Ainda que a empresa já viesse há algum tempo sinalizando para esse fim, o encerramento das atividades afeta trabalhadores, a economia da cidade, da região e, em pequena ou grande escala, quem eventualmente ainda fornecia itens para a produção da Ford”.

O mais complicado dessa história é a inabilidade do governo brasileiro em conseguiu reverter uma perda pontual,  mas que  não deixa de reforçar a hostilidade do ambiente compartilhado por este e de outros nichos produtivos no País, reféns de uma altíssima carga de impostos e da instalabilidade política dos últimos anos.

O alerta de entidades e lideranças  do setor metalúrgico mira as reformas tributária e administrativa, que não avançam no Brasil:  a implementação de uma “agenda que reduza o custo Brasil, melhore o ambiente de negócios e aumente a competitividade dos produtos brasileiros. Isso não é apenas discurso. É a realidade enfrentada pelas empresas”, sublinha a Fiesp sobre o assunto.

A perspectiva da indústria é positiva, com o início da vacinação. Mas há passos governamentais temerosos quando se sabe que o custo do carro, comida, roupa e remédios chega a dobrar por causa dos impostos. Falamos aqui sobre a decisão do governador João Doria de aumentar o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, justo no meio da pandemia e da quebradeira geral de negócios. A alta do ICMS tende a elevar a pressão dos preços e afetar a renda e o trabalho. Essa engrenagem é mais sentida pelas classes mais baixas e média onde estão trabalhadores e pequenos e médios empresários, os dependentes diretos de gigantes como as montadoras. Ou seja, o fechamento de uma fábrica de carros não é fato isolado.