A criação dos Grupos de Fiscalização Integrada para o compartilhamento de informações e de operações nas Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais do Alto Tietê Cabeleiras poderá dar um salto na luta pela preservação da produção da água para o uso e consumo. Já há alguns anos, Mogi das Cruzes possui uma iniciativa semelhante, proposta por órgãos públicos e organizações como a Sociedade Amigos de Taiaçupeba e o Instituto Ecofuturo. Esses atores se reuniram para combater as ocupações irregulares e os efeitos imediatos às invasões, como o despejo de esgoto nas barragens da cidade.

Os Grupos de Fiscalização Integrada têm tudo para potencializar os resultados já obtidos na cidade. Unidas, as prefeituras vão trocar informações, expertise e também os recursos materiais e humanos para executarem estratégias conjugadas e impedirem a degradação das áreas de mananciais.

É uma maneira inteligente de compartilhar os meios disponíveis para conter problemas gravissimos como a supressão de mata natural e os loteamentos clandestinos, que tanto ameaçam a reserva e a produção de água.

Não apenas nas APRMs, mas também em regiões de interesse ambiental e social, a fiscalização em Mogi das Cruzes flagra quase diariamente tentativas ou ocupações já consumadas.

O mesmo acontece nos demais municípios aglutinados no Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, o Condemat – incluindo, nesse órgão, cidades de outras bacias importantes, como a do Rio Paraíba do Sul, em Guararema.

Embora o conceito seja perfeitamente executável, o futuro desses grupos dependerá muito da vontade política dos prefeitos e da pressão popular. Embora no papel seja fácil vislumbrar os ganhos da união dessas prefeituras em torno de algo comum, na prática, isso só acontece quando há um impulso de investimentos financeiros e  estratégicos. de monitoramento remoto podem ser barateados, com o uso em parceria, mas será preciso manter equipes que acompanhem as imagens obtidas e, a partir de então, fiscalizar e punir os infratores. Criar um grupo de fiscalização só por criar, não vai mudar o que já se tem hoje.