Aberta para abrigar o carnaval de rua, eventos, desfiles cívicos, shows e outros eventos sociais, a avenida Cívica não seria mesmo classificada como um espaço silencioso, pacato. Está no DNA da via, a atração do público, até pelos entes que possui com vizinhos, o ginásio de esportes Hugo Ramos e o CIP Deputado Maurício Nagib Najar, palco das festas populares. Agora, daí para se transformar em um verdadeiro inferno para os moradores, como descrevem os próprios residentes, há uma enorme diferença.

Há algumas semanas, logo após o fechamento do hospital de campanha, começaram as reclamações dos moradores contra os pancadões que, agora, foram turbinados por rachas que estão acontecendo nas noites de quinta-feira. Primeiro, os velocistas se apropriam da pista. Depois, o excesso dos decibéis segue perturbando o sono de quem reside nas proximidades.

Ruas silenciosas, são cada vez mais raras. Especialmente, nas regiões centrais dos núcleos mais habitados.

Na avenida Cívica, quando se fala no racha e nos pancadões, a mudança do perfil de frequentadores assusta quem costumava observar a rotina de famílias que desfrutavam da via de calçadas amplas e pouco tráfego de veículos para o lazer, caminhadas ou o bate-papo entre amigos, em noites mais quentes.

Os pancadões ganharam espaço nessa pandemia. E isso ocorre em vários bairros da cidade, e até em pontos distantes do distrito central, como Sabaúna. A Guarda Municipal tem conseguido inibir alguns desses eventos.

Porém, os braços da fiscalização são curtos. E ainda há a inoperância de todos os recursos da segurança pública. O jornalista Darwin Valente, na coluna Informação, conta que moradores já chegaram a ligar para a Polícia Militar e a Guarda Municipal e se viram no meio de um cansativo e inaceitável jogo de empurra. As famílias pensam em ir à justiça para … dormirem em paz.

As corporações trocam as responsabilidades entre si. No caso da PM, ainda existe um grave, antigo e irresoluto problema porque as chamadas são direcionadas para a Central de Operações, que fica em São Paulo, e o atendente exige um número de um prédio da avenida – o que não existe.

A única saída honrosa para a Prefeitura e a Polícia é impedir que esse caso vá parar no Ministério Público, como planejam as famílias cansadas com tanto barulho e descaso. Judicializar o cumprimento de uma lei básica, a do Silêncio, é o fim do mundo.