Para este jornal, o redirecionamento do Pronto-Socorro do Hospital das Clinicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, ocorre em hora inoportuna e prejudicial. Seria mais adequado mudar as regras do funcinamento do PS, quando a pandemia estivesse com números mais controlados. Não agora, ante a curva ascendente dos casos leves e graves da Covid-19.

A tendência de aumento dos pacientes infectados pelo coronavírus não coaduna com uma mudança radical na estrutura de atendimento de um unidade que atende, por mês, 30 mil pessoas. Mil pacientes, por dia, aproximadamente.

No mínimo, faltou sensibilidade. Faltou planejamento dos gestores das secretarias municipais e estadual para romper um laço construído há 33 anos.

Não se questiona os argumentos baseados na ampliação da rede de atendimento a urgência e emergência.Temos, mesmo, mais UPAs.

A redefinição do PS do Luzia já estava na pauta do gerenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). O pronto-socorro pediátrico abriu esse caminho, pouco tempo atrás.

O problema é a mudança no meio da alta da contaminação pelo coronavírus. Pode até fazer sentido para os magos da gestão da saúde, o slogan “atendimento certo, no lugar certo”. Essa é uma simplificação enganosa.

Esse PS recebe os moradores de cidades  com menos recursos médicos. Gente obrigada a viajar quilômetros com o pai ou a mãe, um avô ou avó, com todo o tipo de sintoma, inclusive os da Covid-19. 

Das fórmulas impensadas e equivocadas da Saúde, essa parece ser a pior dos últimos tempos. E não adianta a troca de acusações. Esse sabia, aquele ali assinou. Interessa cuidar do paciente. Zelar pela tranquilidade de quem procura um médico, com sintoma de gripe ou  Covid. O Estado não está fazendo isso.

Dezembro fecha o pior ano em um século. O PS com acesso restrito o torna ainda mais pesado. Há de se pensar na base legal para isso. O paciente tem o direito de ser atendido em qualquer hospital público.

Ao invés de os gestores públicos estarem focados na vacinação – essa uma notícia de esperança, eles terão de responder uma demanda extra. Se os números da Secretaria de Estado forem reais, por dia, 700 pessoas deixarão de ser atendidas no Luzia. E vão bater na porta da rede municipal, justo nesta hora de insegurança sanitária.