A pandemia aprofundou a desigualdade social em todo mundo, com o crescimento do desemprego, da fome, da pobreza extrema, e também da fortuna dos mais ricos.

Nesta semana, pesquisa do banco suíço UBS revela que os mais ricos tinham, juntos, R$ 10,2 trilhões em julho passando, superando os US$ 8,9 trilhões alcançados em 2017. No Brasil, a riqueza dos bilionários teve uma evolução de 99% em 11 anos. Na comparação entre os anos mais recentes, a fortuna desse clube foi de US$ 176 bilhões neste ano, diante de US$ 127 bilhões, em 2019. E, além disso, mais pessoas foram incluídas no rol bilionários.

Na outra ponta, mais brasileiros entraram na linha da pobreza e da extrema pobreza no país. Na cidade, um dos números mais recentes sobre o tamanho dessa parcela na tábua social e econômica tem sido atualizada por este jornal, desde março passado. Em alguns meses, mais de 120 mil mogianos foram beneficiados pelo auxílio emergencial criado pelo governo federal para minimizar a fome e o desespero de quem perdeu o emprego durante a fase mais aguda da pandemia.

Quase um a cada quatro mogianos foi sustentado pelos R$ 600 iniciais. O auxílio emergencial estancou a fome, ajudou a movimentar determinados setores da economia e, sobretudo tirou do tapete o verdadeiro e maior desafio do poder público municipal, na figura do prefeito, do vice-prefeito e do vereador.

Vive na extrema pobreza, o indivíduo que come e paga pelo teto onde dorme R$ 353 por mês. Na pobreza, esse patamar sobe para R$ 738.

É uma obrigação da cidade não perder de vista esses números. Onde vivem essas pessoas? Quais bairros vão demandar mais do governo municipal para a promoção do desenvolvimento social e humano? Quais programas de governo estão focados nesses moradores? Quais medidas práticas vão reduzir a falta de emprego e renda?

Mesmo contaminada pela pandemia e o desgaste da política, a eleição municipal oferta à cidade, uma oportunidade de melhorar o que não caminha bem.

Importante saber, o que propõem os candidatos para os bairros periféricos (Conjunto Jefferson, Chácara Guanabara, Vila Nova União, e outros) onde a falta de vaga na creche perto de casa, de qualificação profissional e atenção ao jovem e até ônibus a toda hora, determina a repetição do ciclo da pobreza mogiana.