A se ver diante de um dilema que confrontava, de um lado, a burocracia oficial do cargo, que passou a lhe tomar a maior parte de seu tempo de trabalho; e de outro, as funções práticas de educadora, que sempre foram a sua maior paixão, cada vez mais distantes, a professora Rose Tonete optou por deixar o cargo de secretária municipal de Educação, menos de três meses após haver assumido o posto.

A difícil decisão foi explicada por ela numa carta destinada aos educadores municipais, com quem teve oportunidade de interagir durante o período em que esteve à frente do cargo.

A decisão de Tonete pode ser interpretada sob dois aspectos. O negativo: antiga auxiliar da professora Maria Geny Borges Ávila Horle em cargos públicos, ela deveria saber, por antecipação, o que lhe reservava a função de secretária municipal. E o positivo: a franqueza e a determinação para tomar uma decisão que muitos evitariam, pelo simples apego ao status do cargo. Saindo logo que notou a desmotivação pessoal por estar sendo consumida pela burocracia, a educadora Rose Tonete dá oportunidade ao prefeito Caio Cunha e à sua mentora Maria Geny de buscarem uma outra pessoa para comandar a Secretaria Municipal de Educação.

Algo que, convenhamos, não parece ser tão fácil assim, em razão da importância e da carga de trabalho, especialmente o burocrático, que recaem sobre os ombros de quem vier a ocupar a vaga aberta com a saída de Tonete.

Pela grandiosidade do setor educacional mogiano, facilmente comparável a uma empresa com 3 mil funcionários para atender a 47 mil alunos que estudam em pelo menos 200 equipamentos escolares, a titularidade da Secretaria de Educação assusta a muita gente, em especial quem não conhece a fundo toda essa gigantesca estrutura.

Com as escolas municipais fechadas por conta das restrições impostas pela atual pandemia de Covid-19, o prefeito passa a contar com um período menos atribulado para escolher quem substituirá Tonete.

De qualquer modo, não deixa de ser uma preocupação a mais para Caio Cunha e sua equipe, que ainda não conseguiram completar o quadro de secretários, faltando indicar quem irá cuidar das futuras pastas de Sustentabilidade e Inovação e a de Transparência e Participação, como mostrou, ontem, este jornal. 

A pasta da Educação, no entanto, exige “urgência urgentíssima” já que se trata de um cargo que está diretamente ligado ao futuro de nossas crianças e, portanto, ao futuro de Mogi das Cruzes.

Atrasar esta indicação pode ser algo desastroso tanto para a cidade, como para a administração do atual prefeito.