Três administrações após a entrega de uma das piores obras públicas feitas pela Prefeitura Municipal, a chegada de um novo prefeito, Caio Cunha, a partir de janeiro, recompõe as esperanças dos moradores e usuários da avenida Miguel Gemma, no bairro do Socorro.

Construída sem um sistema de drenagem para o escoamento da água da chuva, a duplicação do acesso à rodovia Mogi-Salesópolis é péssimo exemplo de desperdício do dinheiro público e má gestão.

Mesmo após passar pelo crivo judicial, o governo municipal não conseguiu reverter o mal feito no passado, e o acesso segue recebendo ações paliativas, sem resultado prático na reabilitação do traçado usado por milhares de veículos diariamente.

O crescimento da ocupação dos bairros rurais de Mogi, Biritiba Mirim e Salesópolis, e da movimentação de caminhões pesados fraturam ainda mais o piso da avenida Miguel Gema, ponto de ligação entre essas três cidades.

Não sem razão, em nossa edição de ontem, o nosso leitor e defensor incansável dessa causa, Paulo Sérgio Pimentel, depositou novas apostas em Caio Cunha, e lembrou que os dois últimos prefeitos, Marco Bertaiolli e Marcus Melo ignoraram a via. Nos últimos meses, o atual prefeito buscou uma solução junto à Associação dos Engenheiros e Arquitetos.  Mas, o que de concreto precisa ser feito – um investimento financeiro definitivo em um projeto que corrija as falhas causadas pela inexistência de um sistema de drenagem, foi deixado para o futuro.

Por isso, o apelo de Pimentel, nesta virada de administração: “Espera-se que o prefeito Caio Cunha ponha fim nessa pouca vergonha. É um absurdo que Mogi, cidade rica, continue a ter em sua malha viária, uma avenida péssima, sob todos os aspectos”.

Nos últimos 12 anos, a Câmara Municipal quase nada fez para defender, de verdade, a correção dessa obra. A esperança é que o futuro traga boas novas para os usuários que são obrigados a conviver com as fissuras, depressões e trepidações. E, tão ruim quanto isso, é ver o desperdício e a energia gasta com operações tapa-buracos que não resolvem o que precisa ser feito para devolver a Miguel Gema a condição de um acesso seguro e confortável. E, detalhe: a ampliação dos parques fabris e do movimento de carros e ônibus no acesso confirmam a necessidade de se tirar logo essa avenida do esquecimento.