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EDITORIAL

Dividir Mogi. Lucrar na praia

Conhecer essa fantasia dos técnicos e do Estado agrava a percepção de que o estudo visou tão somente o interesse financeiro. Ao morador, nada.

O DiárioPublicado em 04/06/2021 às 18:07Atualizado há 10 dias
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A proposta do governo do Estado para Mogi das Cruzes é fatiar ainda mais o solo urbano, com a divisão de Braz Cubas em duas partes, ao lado da via expressa que pretende encurtar o tempo da viagem até a praia.

Não bastasse a divisão no sentido leste e oeste feita pela linha ferroviária que, em tempos normais, congela o trânsito a cada três minutos para a passagem dos trens, afetando a vida de toda a cidade.

Mogi, na região Leste da Grande São Paulo, é a única cidade servida pelos trens que ainda possui as ultrapassadas cancelas em seis pontos, quando somada a passagem de nível de César de Souza - sete se acrescentar Sabaúna.

Se não for defenestrado, em definitivo, o estudo bizarro e espantoso dos técnicos da Agência de Transporte doEstado de São Paulo (Artesp) institui uma segunda segregação entre dois lados da cidade: no espaço  entre a Volta Fria e Braz Cubas.

Para entregar esse corredor à concessão, as avenidas da via perimetral ganharão sete viadutos e sete passarelas. Em um desses pontos haverá o encavalamento de dois viadutos, o Argeu Batalha, e um segundo, que surgirá no cruzamento das avenidas Henrique Peres e David Bobrow.

Nem espaço físico há entre essas duas intervenções, lançadas por quem, definitivamente,  não estava interessado no bem do mogiano.

O impacto direto em desapropriações e na maneira de se movimentar de moradores e trabalhadores atingirá, por baixo, mais de 20 mil pessoas. Entre elas, crianças e idosos, frequentadores dos 25 equipamentos públicos de Saúde e Educação lindeiros à via perimetral.

Esses e outros mogianos terão a rotina brutalmente cortada por um tráfego intenso e a necessidade de transpor dispositivos pensados para atender quem vai para a praia. Conhecer essa fantasia dos técnicos e do governo do Estado agrava a percepção de que o estudo visou tão somente o interesse financeiro. Ao morador, nada.

 Como resume o secretário Claudio de Faria Rodrigues, do Planejamento Urbano, a Artesp quer impor uma pirotecnia de engenharia sem base, sem conhecimento técnico do que Mogi vem planejando para si: ser uma cidade gentil e zelosa com o cidadão, mais verde, menos caótica. Foi lançada uma armadilha, como se Mogi fosse cair ingenuamente no conto de modernidade, eficiência e melhoria que não existe.

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