Uma rápida consulta sobre afogamentos registrados durante a pandemia em diferentes estados brasileiros aponta para o aumento desse tipo de morte. No final de semana prolongado, esse foi um dramático destaque no noticiário sobre o movimento nas praias paulistas. Um jovem de Mogi das Cruzes faleceu na praia de Itaguaré, em Bertioga, por esse motivo.

Há alguns meses, situações semelhantes são confirmadas por unidades do Corpo de Bombeiros em pontos como o Lagoa Paraoná, em Brasília, que viu o número de afogamentos dobrar em julho.

Típica do verão, os afogamentos decorrem da imprudência e imperícia. Embora fértil em opções de rios, lagos e praias, o Brasil peca na prevenção a um incidente fatal, muitas vezes. Faltam políticas públicas mais fortes e contínuas para conscientizar as pessoas, sinalizar pontos mais perigosos.

Neste final de semana, porém, esse fato carrega outros significados. Ainda vamos falar muito sobre como as pessoas de diferentes idades e classes sociais reagiram às imposições do enfrentamento do coronavírus, o SARS CoV-2, agente causador da Covid-19.

Os resultados de pesquisas e observações de especialistas em comportamento humano e social medem o avanço do estresse, ansiedade e do cansaço físico e mental. E, por outro lado, em resposta a esse quadro mesmo, há um forte desejo de se retomar as atividades ao ar livre.

Há algo a ser planejado, modificado, pelo poder público. Com restrições nas cidades, como o fechamento dos parques públicos; a praia, a represa e os bairros rurais são o endereço de uma parte da população que antecipa o que poderá ainda mais forte com a redução dos casos e índices de mortes – mesmo sem terem sido afastados os riscos de contágio.

No passado, uma das memórias sobre o movimento coletivo de desforra e celebração após as mortes, a dor e o pânico foi vivida logo depois dos mais pesados da gripe espanhola. Um bom cenário foi o composto pelo Rio de Janeiro que viveu, dizem os cronistas, o seu melhor Carnaval em março de 1919.

Preservadas as diferenças entre 1919 e 2020, o que estamos vendo é uma antecipação dos ritos de superação, festa e liberdade. No século passado, isso aconteceu em terreno pouco mais seguro: na gripe espanhola, os índices de contágio reduziram com a produção em massa de anticorpos ao Influenza, o que ainda não alcançamos na atualidade. Outro grande fator desfavorável reside na unidade entre as políticas públicas, com cada estado e cidade tomando decisões próprias.