Instrumento para prevenir a Covid-19, a aprovação do projeto de lei municipal que obriga os bancos a aferirem a temperatura dos clientes tem, em sua essência, algo interessante para formar a opinião pública sobre o seguinte: as praias estão lotadas, o Pico do Urubu, idem, mas o mundo vive sob o domínio de uma gravíssima pandemia.

Além desse aspecto, a decisão da Câmara Municipal reforça outro argumento sobre a tomada de decisões, no mínimo, contraditória: banco tem de aferir a temperatura, espaços públicos, igualmente muito frequentados, não?

Outros locais, de grande circulação de pessoas, como centros de compras, supermercados, igrejas, fábricas e espaços públicos – Mercado Municipal, postos de saúde e outros – merecem a mesma atenção dos vereadores. Aliás, de toda a sociedade organizada.

Na atual momento da fase verde do Plano São Paulo, quando mais locais estão abertos, a manutenção de barreiras eficientes contra o novo coronavírus (uso de máscara, álcool gel e o distanciamento social) será fator determinante na escrita futura sobre como a cidade enfrentou o pior desafio sanitário deste início de século.

Nesse caso, a lei dependerá da sanção do prefeito e, o mais importante, da aceitação das instituições bancárias que enxugaram fortemente seus quadros de funcionários, precarizando ainda mais o atendimento ao público – que, sim, ainda precisa resolver presencialmente pendências.

É nesse contexto que a legislação nasce e nos faz refletir sobre o seguinte: e os outros locais de grande circulação de pessoas? Por que eles não são obrigados a medir a temperatura das pessoas?

O Mercado Municipal de Mogi é o nosso emblemático exemplo. Após a queixa de um leitor deste jornal, a aferição até chegou a ser feita. Mais para acalmar o ânimo do consumidor e da opinião pública. Não durou alguns dias, a aferição da temperatura na porta do centro de compras que recebe milhares de pessoas por dia, muitas assintomáticas.

A imposição aos bancos é válida. Basta ver as filas que se formam em frente das maiores agências em determinados dias da semana.

Mas, depois de ver o vale-tudo em tantos outros lugares, praias, pancadões e etc, com pessoas sem máscara e nem distanciadas entre si, vale a provocação: apenas no banco essa medida deve ser obrigatória?