A pandemia tornou insuportável o rosto da desigualdade social brasileira. Mesmo com números parciais, já se sabe que em Mogi das Cruzes, um em cada três mogianos debaixo do guarda-chuva do  trabalho informal e autonômo recebeu o Auxílio Emergencial. Essa população se perfilou à parcela dos milhares dos beneficiários do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Somados, esses três programas assistiram quase um em cada cinco mogianos.

É um rosto duro de ser encarado quando se sabe que essa mesma Mogi das Cruzes tem uma população das classes A e B muito bem consolidada e responsável, inclusive, por incluir a cidade, com frequência, entre os 100 melhores municípios para se morar no Brasil.

Na borda da Região Metropolitana, com terrenos baratos e muitos ocupados irregularmente a partir da década de 1970, e um respeitado parque industrial, comercial, agrícola e de serviços, Mogi tem como planejar o futuro da geração e distribuição de renda.

Há tempos, este jornal bate nesta mesma tecla - a necessidade de se focar em dois eixos, a qualificação e modernização da mão de obra e a elevação da média salarial.

Longe da carteira assinada, o tamanho da população  assistida pelo Auxílio Emergencial fala por si. São cerca de 130 mil pessoas em idade ativa para o trabalho.

Para além da discussão sobre a propriedade e urgência de se buscar meios de bancar o Auxílio Emergencial sem furar o teto de gastos do governo federal. Esses meios existem, reforma administrativa, corte dos penduricalhos nos supersalários do funcionalismo e do Poder Judiciário, redução dos gastos imorais dos deputados. 

Como diz o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Gabriel Bastianelli, a hora impõe socorro aos micro e pequenos empresários.

Nos últimos dias, os interesses eleitorais do presidente Jair Bolsonaro falam mais alto, mas, a ajuda chegará com atraso. Até março, prazo aventado pelo governo para a nova rodada de pagamentos, essas famílias ficarão desassistidas. E a economia das cidades esmorece. Em Mogi, falamos de meio bilhão de reais que circulou entre abril e dezembro passado. A pandemia mostrou o que de pior o governo e uma parte da sociedade organizada orquestram: o descaso com os mais pobres e miseráveis. São eles, também, os que mais morrem por causa da Covid-19