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EDITORIAL

Combate à fome

"Nota-se que a proposta, se sair do papel e for levada a sério como merece esse assunto, não pretende ater-se no lastro mais urgente, ou seja, matar a fome"

O DiárioPublicado em 15/07/2021 às 19:28Atualizado há 13 dias

Todo holofote que se dê à miséria e vulnerabilidade social pode, em alguma medida, reduzir o tempo esperado para a recuperação da renda familiar das pessoas mais pobres, as mais afetadas pela pandemia. 

O último ano acentuou dramaticamente a desigualdade social no Brasil, trazendo os fantasmas da fome e do desemprego.

Os efeitos da recessão econômica são escaladonados entre as classes sociais. No início deste ano, a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio exemplificou o fosso social que as cidades terão de enfrentar nos próxmos anos. Entre os 10% dos brasileiros mais ricos, a renda encolheu 3% durante a pandemia. Já entre os 40% dos pobres, essa perda caiu 30%, se descontado o auxílio emergencial.

Em Mogi das Cruzes, desde o ano passado, este jornal debate o tema. Nesta semana, um dos últimos atos da Câmara Municipal criou a Frente de Combate à Fome.

Nota-se que a proposta, se sair do papel e for levada à sério como merece esse assunto, não pretende cuidar apenas do lastro mais urgente  - ou seja, matar a fome. Também lança um olhar para o futuro. Tomara que seja mesmo assim.

A ideia do vereador Eduardo Ota, do Podemos, é desenvolver políticas mais abrangentes junto a uma população estimada em mais de 30 mil famílias (que recebem o Bolsa Família) para providenciar além do alimento no prato hoje. Ele fala em estimular e criar hortas comunitárias e incentivar a geração de emprego e renda.

Articular um modelo de atuação perene poderá ser um diferencial que Mogi precisa há tempos. A cidade peca pela descontinuidade e descentralização desse tipo de socorro.

Antes do coronavírus, a baixa escolaridade, a exploração no trabalho e o subemprego garantiam o ciclo de pobreza vivido de geração em geração entre os mais pobres.

 Por isso dissemos, nas linhas acima, a importância de se mirar holofotes a uma narrativa social que precisa ser transformada.

 Espera-se da Frente de Combate à Fome, aprovada pela Câmara, debates e projetos assertivos e de rápida implantação.

As respostas atuais às campanhas solidárias durante essa crise demonstram o interesse de muitas pessoas em reescrever o futuro. O poder Legislativo pode ser um fio condutor de valor, agregando, principalmente, atores que já vinham tentando melhorar a vida de muitos mogianos e sequer eram ouvidos. 

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