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EDITORIAL

Chega de violentar a mulher

"Agressões domésticas precisam sair de dentro das quatro paredes, o mais cedo possível, logo após as primeiras ameaças, xingamentos, tapas e chutes"

O DiárioPublicado em 13/07/2021 às 19:59Atualizado há 15 dias

O primeiro homicídio deste ano em Salesópolis foi de uma mulher, prima da companheira de um homem que não aceitou o fim do relacionamento e esfaqueou outras pessoas no domingo (11). Três vítimas estão internadas.

Ele cometeu um feminicídio classificado pela legislação brasileira como um homicídio praticado contra a mulher motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero.

Na pesquisa mensal da Secretaria de Segurança Pública, o município de 17 mil habitantes e reconhecido por ser o berço do principal rio paulista, o Tietê, aponta que o  primeiro crime contra a vida neste 2021 foi uma tentativa de homicídio, notificada em março passado. 

Esse dado revela o que os moradores dali tanto prezam com toda razão e orgulho: a tranquilidade e segurança. Mas... as cidades não são ilhas. 

O dramático crime desta semana joga luz em uma ferida social historicamente represada pelo silêncio das vítimas. Diante da evolução das mortes no Brasil, não há sutura que trate esse mal. A sociedade brasileira precisa enfrentar e acabar com essa cultura, a da violência do homem contra a mulher.

 Agressões domésticas precisam sair de dentro das quatro paredes, o mais cedo possível, logo após as primeiras ameaças, xingamentos, chutes e pontapés.

A certeza da impunidade faz perseverar o machismo que está no fundo do maior parte desses casos, segundo a advogada Rosana Pieurucetti, uma estudiosa desse comportamento e integrante da ONG Recomeçar.

Na pandemia, o isolamento social trouxe esse insuportável efeito colateral - sem acesso ao convívio familiar, vítimas sofrem caladas. Houve, aliás, a redução da notificação desse tipo de crime no nosso Estado.

Impedir a repetição do ciclo de violência é o que nos resta. Esse caso bem ilusta: a vítima foi buscar ajuda, mas o agressor mirou a ira aos familiares e ciclistas que passava pelo local.

Conscientizar as velhas e novas gerações, favorecer o acesso a delegacias e autoridades judiciais responsáveis por punir esses crimes, e criar redes de proteção e atendimento à mulher em todas as cidades, inclusive nas aparentemente pacatas, são  meios para quebrar um ciclo perpetrado por anos de silêncio e de submissão a conceitos que, agora sabemos, são incorretos: em briga de marido e mulher, familiares e amigos têm o dever de preservar a vida da vítima, seus filhos ou parentes.

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