MENU
BUSCAR
EDITORIAL

Chega de matar as crianças

Mesmo com as dificuldades para os registros, cinco crianças, todo dia, em Mogi, foram vítimas de abusos. Uma vergonha para o governo municipal e a sociedade

O DiárioPublicado em 19/04/2021 às 17:16Atualizado há 23 dias

Henrique, 8 anos, morreu no ano passado após ser atendido na Santa Casa de Mogi das Cruzes com traumas característicos de agressões físicas. Ele residia no Jardim Aeroporto. Henry Borel, 4 anos,  morreu em circunstâncias semelhantes no Rio de Janeiro, mesma cidade onde Kayo Guilherme da Silva, de 8 anos, foi uma das mais recentes vítimas de uma bala perdida.

Essas notícias não estão soltas. Elas fazem parte da rotina de mortalidade de crianças e adolescentes no Brasil, que costuma virar índice e provocar revolta e reação popular pontualmente.

Números publicados por este jornal mostram que em 2020, cinco denúncias de violações como crimes sexuais, agressões físicas ou psicológicas foram registradas por dia em Mogi das Cruzes. E, atente para um complicador: a pandemia fragilizou, e muito, a rede de atenção à criança e ao jovem que ficou ainda mais próximo de seus algozes, normalmente, pais, mães, padrastos, madrastas, tios e avós.

Não fosse a ausência da escola e dos ambientes comunitários, fontes preciosas para a descoberta e punição dos autores desses crimes que acontecem dentro de casa, esse índice poderia ser ainda maior.

O prolongamento da pandemia tem sido considerado um grande propulsor para a violência doméstica porque inibe, ainda mais, a denúncia ou a identificação das marcas físicas ou psicológicas de agressões, exploração sexual e do trabalho, e etc.

As mortes de Henrique, Henry e Kayo não podem ficar impunes. Chega de tantas mortes.

Cabe aos conselhos tutelares e de defesa da criança e do adolescente intenficarem os meios disponíveis para prevenir o que não tem cura - o assassinato ou a extensão de sequelas para toda a vida de uma vítima.

As leis e os meios existentes para as denúncias (Disque 100, os atendimentos dos Conselhos Tutelares, Ministério Públicas, delegacias) precisam ser divulgados e mais cobrados.

Os detalhes da morte de Henry Borel revelam o que já se sabe: as agressões costumam ser repetidas. Criminosos se valem do silêncio e da distração de quem convive com as crianças para continuar agindo.

Dados de Mogi de 2020 escancaram a urgência de o governo municipal intervir e conter essa insanidade. Mesmo com as dificuldades para os registros, mais de cinco crianças, todos os dias, foram vítimas de abusos. É um número absurdo e vergonhoso para a sociedade e o governo municipal.

ÚLTIMAS DE Editorial