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EDITORIAL

Barreira sanitária, vale?

O DiárioPublicado em 01/04/2021 às 15:07Atualizado há 4 meses

Um ano após o início dos esforços para conter o tamanho da destruição humana causada pela Covid-19, os governos testam meios para restringir a dispersão do coronavírus.

O distanciamento social e o uso de máscara facial e de álcool em gel são as armas mais indicadas para derrotar a peste que destrói vidas e colapsa a saúde e a economia.

A adoção de barreiras sanitárias é um meio pouco eficiente para inibir a contaminação, segundo apontam alguns estudiosos. Entre os senões da medida está o fato de dificilmente os gestores conseguirem blindar mesmo os seus municípios contra os visitantes indevidos. A excepcionalidade do enfrentamento desse mal pode encontrar amparo legal e popular. 

A questão é a operacionalização da medida, que exige muitos fiscais e trabalhadores. Mogi das Cruzes tem muitos caminhos vicinais, além das estradas mais usadas, que garantem a interligação viária com as demais cidades da região.

A barreira sanitária não se confirma como o melhor meio para impedir a circulação do vírus, segundo análise do pesquisador Silvio F. Ferreira, da Universidade Federal de Viçosa, em um estudo disponível nas redes sociais sobre a eficiência dessa ação preventiva. 

 Medir febre não garante o expurgo de quem é assintomático. Exigência de exame negativado feito em 48 horas é piada no país do “jeitinho”, do atestado falsificado e que tem graves falhas para testar toda a população. 

Apesar desses argumentos, a barreira sanitária tem sua validade. Primeiro porque desestimula alguns visitantes, principalmente os que não circulam entre as cidades para trabalhar e nem estão em busca do socorro médico. O cidadão pode se tratar em qualquer cidade brasileira, garante o Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Mogi, a estratégica serve para pesquisa e tem mensagem subliminar importante para os gestores regionais.

Nos últimos seis dias, estarrece a constatação de que a variação de contaminação em cidades como Itaquaquecetuba atingiu 21% e de Suzano, 3,7%, segundo o governo municipal.

Esse percentual sinaliza para gravíssimas falhas no cumprimento do Plano SP, que mira promover o distanciamento social. Mogi, ao contrário, abaixou essa margem para 0,58%.

Essa tentativa tem alto preço político e administrativo. Nesse último caso porque desvia parte do pessoal que poderia estar em outras linhas de frente. Mas, tem o valor de alertar sobre a necessidade de a região se unir nesta guerra contra a morte e o sofrimento de quem espera por um leito.

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