Mesmo levando-se em consideração o terreno hostil frequentado pelos vereadores de Mogi das Cruzes após as gravíssimas denúncias feitas pelo Ministério Público contra seis de seus pares, há situações que não podem passar como se fosse algo normal.

Na primeira sessão-relâmpago desta semana, nenhuma linha foi dita contra a mais recente manobra do Governo do Estado contra a cidade e a região do Alto Tietê.

O silêncio dos vereadores faz lembrar uma frase muito usada pelo professor e historiador José Sebastião Witter (1933-2014) em suas impagáveis crônicas sobre os desvairios do poder público em determinados assuntos. Nem vamos relembrar, aqui, as posições do cronista das quintas-feiras de O Diário sobre o desrespeito dos políticos com a história, a educação e etc.

Witter sempre encaixava nas suas cobranças por melhorias na mobilidade urbana, na segurança púlbica ou o que quer que violasse o pacto de boa convivência na cidade, o que explica o descaso dos vereadores com Mogi das Cruzes, em um tema de interesse também regional – “autoridade não lê”, pregava ele.

Ao que acrescentamos: não lê e nem possui a mínima sensibilidade e destreza política para agir, sem perder o timing, em defesa dos interesses do povo, na fiscalização dos malfeitos do poder executivo, e no cumprimento do dever sagrado do vereador de servir ao povo.

Que outra explicação haveria para o silêncio, dos vereadores, diante da notícia de que o Governo do Estado, às vésperas de entregar a conclusão do projeto viário da rodovia Mogi-Dutra, admite que 1,3 dos 7,5 quilômetros do acesso não será duplicado e receberá apenas melhorias?

O descaso com uma das notícias mais impactantes desses tempos remete a outra máxima sobre uma arenosa e prejudicial marca desses tempos atuais, e diz respeito à história, ao conhecimento, à ciência e também o hábito da leitura, da interpretação dos fatos e da realidade. É do francês Marc Bloch (1886-1944), a seguinte definição: “A ignorância do passado não se limita a prejudicar a compreensão do presente, compromete no presente, a própria ação do sujeito”.

Algo que nesse período eleitoral deve ser refletido principalmente por quem definirá os próximos ocupantes do legislativo local: os eleitores. O silêncio dos componentes atuais na Câmara diz muito sobre como o destino da cidade está sendo tratado pelos atuais parlamentares.