Dois meses e meio após a aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19, somente nesta semana a Prefeitura de Mogi das Cruzes conseguiu iniciar o atendimento ao cidadão com horário e local agendados.

Para chegar até o momento, com a instalação de três pontos de drive thru, a oferta da vacina em toda a rede municipal, e o Clique Vacina, que permite o agendamento, os mogianos enfrentaram filas de até seis horas de espera, incertezas e falhas de comunicação. 

Compreensível uma parte dos problemas gerados pelo atraso na entrega das vacinas. Essa campanha é um desastre em todo o Brasil.

Porém, o processo de vacinação local demonstra que faltou um planejamento adequado para reduzir os riscos de aglomeração e a demora na aplicação das doses.

Bom, evidentemente, que os erros comecem a ser corrigidos com o uso dos recursos que a Prefeitura possui no Sistema Integrado de Saúde (SIS), um dos primeiros criados no País e que conseguiu reunir um bom conjunto de dados sobre o usuário do sistema, ao longo das últimas administrações.

No SIS estão inscritos, com nome, endereço e telefone, todos os mogianos (e até mesmo os não mogianos, várias vezes flagrados) que utilizam a rede municipal de postos, Upas, etc. 

Essa central de informações exclusiva e valiosa para o desenvolvimento de planos de prevenção e tratamento das doenças é um coringa para o monitoramento e gestão da saúde da população.

Dificuldades de início de mandato, como é o caso atual, não podem servir de argumento e nem ser toleradas porque o corpo técnico e diretivo da Secretaria Muncipal de Saúde é praticamente o mesmo da gestão passada. 

Que um dia a vacina chegaria, todos sabiam. Faltou foi uma programação estratégica que deveria ter sido preparada ao longo do ano passado pela Prefeitura quando já se sabia que a vacinação é uma das tábuas de salvação para o enfrentamento dessa devastadora crise sanitária.

O que se viu revela desrespeito ao cidadão. Ontem, o processo foi mais ágil. Que bom. Que sirva de aprendizado. Aliás, um aprendizado que será testado em breve: a partir do dia 12 começa a campanha da vacinação da gripe e, novamente, as autoridades municipais são obrigadas a evitar as aglomerações dos grupos prioritários como crianças, gestantes, trabalhadores da saúde e idosos.