São estarrecedores os primeiros números sobre as matriculas confirmadas até janeiro por estudantes do Ensino Médio (EM) em Mogi das Cruzes. Este jornal publicou reportagem mostrando o declínio acentuado na busca de vagas dos alunos da faixa intermediária, entre o Ensino Fundamental e o Superior, entre 2019, antes da pandemia, 2020 e 2021.

Vamos a eles: em 2019, a cidade possuía 16.027 estudantes no EM. Em 2020, esse número caiu para 13.608 e, até janeiro, esse contingente era de 7.992. Nessa conta, há os que concluíram a etapa. Mas a queda nos dois últimos períodos, aponta para o gravíssimo cenário de apagão no ensino intermediário identificado em pesquisa nacional, feita pelo Instituto Datafolha, sob encomenda do C6 Bank, e publicada pelo jornal Folha de SP. No ano passado, em todo o Brasil, 4 milhões de brasileiros, com idades entre 6 e 34 anos, abandonaram a sala de aula após março, quando começou a crise sanitária.

O estudo indica questões financeiras e a falta de acesso às aulas remotas como os motivos do abandono,predominantemente observado entre os mais pobres.Em primeira análise do balanço das matrículas até janeiro, a Diretoria de Ensino de Mogi identificou a necessidade de fazer uma busca ativa dos estudantes não inscritos até o momento. Essa procura terá de ser ampla, incansável, porque houve uma diminuição expressiva do tamanho da rede entre 2020 (38.256 estudantes) para 2021 (28.279), ou seja, de 5.977. No Ensino Fundamental, a diferença se apresenta menor 404 mogianos. 

Divulgar, entender e transformar esses dados é a tarefa dos gestores da educação e da sociedade. 

Esse oceano de distância entre os filhos classes média e alta, e os pobres e miseráveis tem um preço maior do que o individual, o de um CPF, como se costuma pregar. Até 2018, 4 entre 10 brasileiros não concluíam o Ensino Médio. Esse  “cancelamento” da escola refletirá  na transmissão do conhecimento, na ciência, na economia e qualidade de vida futura do País. Não adianta esperar pelo governo federal, nem pelo ministro da Educação, que considerou o Enem um sucesso, diante da abstenção de metade dos alunos neste 2021. A luta pela educação terá de partir da sociedade mesmo com   o cansaço e a politização da pandemia e a divisão ideológica. A pergunta é: há fôlego e interesse em cuidar das novas gerações?