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EDITORIAL

A temporada das queimadas

Denúncias sobre a repetição de queimadas propositais precisam ser estimuladas e servir de base para a punição exemplar e políticas de combate eficientes

O DiárioPublicado em 14/04/2021 às 19:37Atualizado há 28 dias

Prática ilegal e muito utilizada por proprietários de terrenos mal-intencionados e habituados à impunidade de mais este dano ambiental, os registros de fogo em mata começaram mais cedo.

Nesta semana, imagens de altas labaredas em regiões como o Rodeio e Mogilar foram destaque em reportagens publicadas por este jornal.

O forte desta prática se dá mesmo entre o outono e o inverno, quando o regime de chuvas favorece a queima da vegetação por motivos que vão de incidentes com bitucas de cigarros a ações intencionais, repetidas por donos de terrenos que querem se ver livres do mato, da pior forma possível, colocando em risco não apenas a população das proximidades desses espaços, como condenando a fauna e flora dos pontos ainda verdes da cidade. O que acontece na Amazônia, está ao lado da casa dos mogianos.

Há dificuldades para se monitorar áreas verdes extensas, como as encontradas em Mogi e região.

Porém, não se justifica o balanço pavoroso dos últimos tempos, quando o número de focos de fogo aumenta sensivelmente, sem que o poder público e autoridades ligadas à prevenção desses desastres e crimes respondessem à altura, com a fiscalização rígida, multas, prisão ou a conscientização.

Denúncias sobre a repetição de queimadas propositais precisam ser estimuladas e servir de base para a punição exemplar e políticas de combate eficientes.

Além dos riscos para a população que reside nestas áreas, cada vez mais ocupadas, nas proxmidades de bairros próximos das serras do Itapeti e do Mar, as queimadas afetam a saúde pública porque pioram a qualidade do ar e as condição de vida de pacientes com problemas respiratórios.

Há custos financeiros e sociais incalculáveis legados por essa prática. Enquanto o Corpo de Bombeiros leva tempo para debelar o fogo, em operações, muitas vezes fracassadas porque todos os anos extensas áreas de vegetação são consumidas, a corporação deveria atuar em outras áreas. Denunciar esses crimes é fundamental para forçar o poder público a redefinir o que tem sido feito - e não está dando certo. 

A temporada de queimadas mostra quanto esse tema é sensível em Mogi, e replica o que desafortunadamente acontece no país. A frase “vamos passar a boiada”, dita pelo ministro do Meio Ambiente, não saiu publicamente da boca de autoridades regionais, mas essa cartilha não está longe de ser seguida por aqui.

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