Seria um mundo mais igualitário, inteligente e simples, se o lema do Instituto Butantan – a serviço da vida – fosse o principal objetivo dos políticos que têm o poder de facilitar ou dificultar a vida do cidadão.

A missão deste patrimônio do sistema público brasileiro é ouvida quase ao final de um simbólico vídeo institucional sobre o instante em que diretores e pesquisadores do Instituto Butantan receberam a notícia sobre os resultados da vacina CoronaVac, desenvolvida em parceria com a farmacêutica Sinovac: 78% de eficácia e redução de 100% das internações de pacientes em estado grave.

Essa boa notícia não vem sozinha. Outros imunizantes estão por chegar ao Brasil. Enquanto São Paulo dá os passos para vacinar os primeiros paulistas no próximo dia 25, doses fabricadas por outras empresas também vão ser aplicadas, segundo promessa do governo federal.

É para ontem a urgência de se iniciar a vacinação no Brasil. É uma irresponsabilidade a demora nesse processo, diante de tantas mortes. E chega a ser um crime o uso político da vacinação quando se sabe que o país poderá sair da pandemia como o segundo que mais perdeu vidas para o coronavírus no mundo. Nesta derrota humanitária, com 200 mil mortes, o Brasil está atrás apenas dos EUA.

Não há como tirar a culpa do Ministério da Saúde e do governo do presidente Jair Bolsonaro pelos erros no enfrentamento da pandemia. Cientistas e entidades médicas e industriais acumulam farto material (entrevistas, ofícios, documentos) que revela a inépcia do governo em contratar vacinas, seringas, etc. Aliás, os demais poderes – legislativo e judiciário são co-responsáveis pelos rumos dessa crise.

Perdemos um tempo que não volta mais para os desacertos, no negacionismo e a ideologia política. Mas há tempo de recer isso. Primeiro, não admitindo que a vacinação seja usada como instrumento político. Nem por Bolsonaro, nem por João Doria, nem por ninguém.

Não importa se a vacina é da China, Reino Unido ou Índia. Interessa ao cidadão que as análises da Anvisa sigam os protocolos de segurança, como fizeram outros países, o mais breve possível.

Já perdemos vidas demais. Já perdemos tempo. Já perdemos empregos demais. É hora de fazer a vacina chegar ao braço dos brasileiros, como também  disseram os pesquisados do Instituto Butantan.