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EDITORIAL

A pobreza extrema em Mogi

Na situação de extrema pobreza, segundo a Prefeitura, está a maior parte dos que precisam de assistência do município e da sociedade: 79.633 moradores

O DiárioPublicado em 26/05/2021 às 19:39Atualizado há 19 dias
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Ano passado, quando O Diário começou a investigar, mais a fundo, o desamparo dos mogianos diante da pandemia e de uma das suas piores consequências - a brutal queda de empregos e subempregos -, as respostas de especialistas escandalizavam por mostrarem que praticamente um terço da população poderia ser atendida com o auxílio emergencial.

Um ano depois, após a prestação de contas quadrimestral realizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social, à Câmara Municipal, ontem, é necessário falar sobre quanto Mogi das Cruzes terá de caminhar para ofertar um cobertor social amplo e vital a 27,1% dos moradores da cidade, ou, exatos 122.228 mogianos inscritos no Cadastro Único, um dos medidores da desigualdade socioeconômica  brasileira, acelerada pela pandemia.

Recente estudo divulgado pelo Centro de Políticas Sociais da  Fundação Getúlio Vargas (FGV) pintou com sombrias tintas o pavimento a ser trilhado pelo país, nos próximos meses e anos. A crise sanitária colocou na barca da extrema pobreza, 12,8% dos brasileiros - o segundo maior índice alcançado desde 2011.

Nesse recorte, vivem pessoas que têm R$ 246,00 para passar o mês, valor que dá para uma cesta básica, bem básica, de 42 itens, sem produtos como carne, pão, verduras.

Nessa situação, de extrema pobreza, segundo a Prefeitura, está a maior parte dos que precisam de assistência pública e da sociedade organizada: 79.633 moradores. São 8.544 em situação de pobreza e 20.922 têm baixa renda.

Esse dado é o de uma Mogi invisível aos olhos das pesquisas nacionais que têm diferenciado o município por fatores socioeconômicos desfrutados pelos mais ricos.

Atualizar e divulgar esses dados é um meio de agir para reduzir a desigualdade e atender demandas outras, como a própria ocupação irregular na Vila São Francisco, também apresentada na audiência pública.

Entre os dados, destaque para o que já se imaginava - a maior parte dos ocupantes não é da cidade, e o mais grave de tudo: crianças e adolescentes da ocupação não frequentam as aulas.

Essa situação não é exclusividade da pandemia. Mas, é por conta dessa crise excepcional que os números da pobreza cresceram e assustam tanto.

 O balanço da Assistência Social serviu para reforçar o acerto do pagamento do auxilio municipal, de R$ 100, a quem mais precisa neste terrível flagelo sanitário e humano.

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