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EDITORIAL

A degradação do Centro Cívico

Sem conseguir ordenar o uso do Centro Cívico, as grades e gastos com a segurança dos prédios de órgãos públicos evidenciam erros do passado na fiscalização no local

O DiárioPublicado em 28/04/2021 às 17:01Atualizado há 14 dias
Parque Botyra, ao lado da Prefeitura, tem pontos vandalizados / Divulgação PMMC

As reclamações de moradores e comerciantes do entorno do Parque Botyra Camorim Gatti, no Centro Cívico, destacadas em reportagem publicada por este jornal são novidade, em parte, por acontecerem durante a pandemia quando, em tese, as aglomerações deveriam ser combatidas pelas forças da segurança pública. A má convivência entre alguns grupos de frequentadores, sobretudo aos finais de semana e à noite, é matéria antiga, que o governo municipal não conseguiu resolver.

O Centro Cívico, onde está essa nobre área de lazer, veio perdendo suas características urbanas, de promover um melhor diálogo entre o povo e as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, pela falta de ação do governo municipal, nas últimas duas décadas, quando começaram a ser murados e isolados os prédios que abrigam serviços como o Fórum e a Justiça do Trabalho.

O isolamento físico desses locais ocorreu porque o vandalismo e outros conflitos é resultado da desordem e desprezo, de alguns poucos, aos conceitos de civilidade e convivência nos espaços públicos.

Sem conseguir ordenar o uso do Centro Cívico, os grades e o reforço da fiscalização nos prédios evidenciam os erros das políticas de fiscalização e cumprimento das posturas públicas no passado. Quanto mais pessoas usarem ali, melhor para a cidade. Porém, quando usuários reclamam do uso de álcool e drogas, na porta da Prefeitura, do Fórum, e da Câmara, o sinal é claro: a impunidade está ganhando disparado.

E, o mais complicado disso tudo, esse processo é antigo, com alternância de períodos com menos e mais queixas sobre o mesmo assunto. 

Principalmente nos próximos meses, quando a normalidade tende a se acentuar e possibilitar maior liberdade para a circulação de pessoas e uso do espaço urbano, é obrigação da Prefeitura e da Polícia averiguar as reclamações e tomar as providências possíveis.

Os relatos de moradores que passaram a deixar de usar aquele espaço por se sentirem ameaçados são gravíssimos. Claro que não se trata de perseguir jovens que têm, ali, um ponto seguro de encontro. Porém, vandalismo e práticas inoportunas devem ser combatidas e controladas.

O Centro Cívico já perdeu sua função social inicial porque  a cidade não conseguiu garantir o bom uso  do espaço que deveria ser cartão de visitas sobre a boa convivência praticada em Mogi. E não foi por falta de aviso de quem viu o lugar se deteriorar.

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