Preocupado diante do impetuoso avanço da pandemia que ocupou praticamente todos os leitos de UTI disponíveis para o tratamento da Covid-19 na cidade, o prefeito Caio Cunha se adiantou e decidiu colocar a cidade na fase vermelha, antecipando-se à idêntica medida anunciada nesta quarta-feira pelo governador João Doria para vigorar, no sábado, em todo o Estado de São Paulo.

Prefeito e governador correm atrás do isolamento social como meio de tentar impedir o avanço cada dia mais descontrolado do novo coronavírus e suas novas cepas, ainda mais perigosas e mortais.

Com a falta de leitos de UTIs para abrigar as novas vítímas da Covid-19, Mogi e o resto do País estão colhendo os resultados de abusos que começaram a ser cometidos durante as festas de final de ano, se estenderam durante o Carnaval e chegam aos dias atuais com as promoções de festas clandestinas e outros tipos de abusos, como a despreocupação com hábitos mais rígidos de higiene e com o uso de máscaras.  Sem falar na falta de atenção com as aglomerações do dia a dia.

O País vive, segundo renomados cientistas, a pior crise de saúde de toda sua história e, enquanto isso, o que se vê no Brasil é também um reflexo do negacionismo explícito de um presidente que despreza a doença e seus mortos e não consegue mobilizar seu próprio governo nem mesmo para a aquisição das vacinas, consideradas a única solução viável para tentar conter a crise, ainda que no médio ou longo prazo.

Neste momento de extrema gravidade, o País se ressente de uma política que envolvesse, a um só tempo, União, estados e municípios, o que é impossível dada a falta de liderança de um governo central que buscar se esconder  atrás de supostos medicamentos milagreiros, cujos efeitos práticos a ciência já descartou.

Ao ironizar o avanço da pandemia, sem se empenhar para, ao menos, amenizar seus efeitos, o presidente colabora para o desrespeito às medidas sanitárias preconizadas pelos cientistas e médicos. E, por tabela, para o avanço da doença entre os brasileiros.

E enquanto o governo central finge que age, anunciando uma ou outra medida que nem sempre é colocada em prática para valer, prefeitos e governadores se veem obrigados a assumir medidas drásticas e arcar com  o ônus político delas.

Enquanto isso, em Brasília, o presidente segue se preocupando mais com a campanha de 2022 do que  com as quase 260.000 mortes que a Covid-19 já provocou entre os brasileiros que buscam, cada um a seu modo, se proteger da doença da maneira como podem ou conseguem.