É de 2017, um dos mais recentes e respeitados inventários sobre a ocupação desenfreada da Serra do Itapeti, e os reflexos da moradia desordenada, como o descarte do lixo, o desmatamento, as queimadas e as instalação de muralhas que restringe a circulação dos animais. Esse estudo resulta de parceria entre a Universidade de Mogi das Cruzes e a fundação SOS Mata Atlântica. Pesquisas de campo e entrevistas com quem mora no interior desse patrimônio ambiental e cultural embasam minucioso diagnóstico sobre o que vinha acontecendo ali, desde os anos 1990. O nome do estudo: Caminhos do Itapeti.

Há uma forte pressão por moradia e o descontrole do uso e ocupação do território mogiano, ainda com muitos fragmentos da Mata Atlântica e mananciais importantes para o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo. É o caso do que se vê em estradas vicinais de Sabaúna, Taiaçupeba, Quatinga, Parque São Martinho, Taboão.

Na Serra do Itapeti, esse adensamento sela rompimentos e divisões entre o ontem e o hoje e determinam a extinção de tradições e costumes seculares – festas religiosas e familiares, gastronomia e até na arquitetura clássica caipira.

Sem limites e cuidados simples, como os pontos de passagem dos animais, o aumento das moradias coloca a cidade dentro da mata, onde há uma fauna e flora vulneráveis. Exemplo mais forte disso tudo, são as construções com muros altos. Um desatino.

Longe dos olhos da maioria das pessoas, há uma aceleração na construção de condomínios, chácaras e sítios em terrenos na divisa entre a serra e os bairros do Rodeio, Itapeti, Volta Fria, Botujuru. Como será a cidade que está nascendo nesses cantos?

Essa situação começou a passos mais lentos, como vinham alertando historiadores, ambientalistas e o próprio Ministério Público. O MP, aliás, conseguiu estancar esse processo, em partes da Serra do Itapeti, a partir de uma fiscalização intensa.

A cidade é um organismo com vida própria. É senhora do próprio destino. Leis a da APA (Área de Proteção Ambiental) da Serra do Itapeti existem. Hoje, a principal pergunta é: Mogi vai seguir a lei? Pelo que sê na Serra, com a partilha de imóveis, contratos de gaveta, especulação imobiliária e as tentativas dos loteadores ilegais (dois a três, são descobertos por dia), a resposta caminha para ser “não”.