Especialistas em transporte ferroviário desmistificam os argumentos contrários à extensão dos trens de passageiros até César de Souza, mais uma vez requentados pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Melhor seria a CPTM se calar do que dizer que não há viabilidade técnica. Essa desculpa é imprópria. Aliás, nesse assunto, o descaso da CPTM com a cidade é constrangedor. 

Lá se vai para cinco anos a espera pela reconstrução das estações de Jundiapeba, Braz Cubas, Centro e Estudantes. Esses terminais vivem de remendos, um conserto aqui, outro ali, desde fevereiro de 2016 quando foi entregue a nova Estação de Suzano, com equipamentos de segurança e conforto. Já Mogi..., bem Mogi segue sendo tratada como ponto final de linha.

Esse projeto defendido por O Diário olha o presente e projeta o futuro, quando essa região deve ganhar mais de 20 mil moradores.

Além disso, há de se considerar que a chegada do trem de passageiros poderia acompanhar intervenções viárias, programadas para ali. Um dessas obras são os dois viadutos que  interligarão as avenidas Francisco Ferreira Lopes e João XXIII e estão na chave da mobilidade urbana do projeto + Mogi Ecotietê.

A aposta, é bom que se lembre, seria construir uma estação pouco à frente da atual, para favorecer a liberação do tráfego da avenida Ricieri José Marcatto.

Longe de ser um sonho ou algo inviável, essa obra depende unicamente da vontade política do governador João Doria. Seria exigida a duplicação de 3,4 quilômetros de linha férrea para garantir o compartilhamento do traçado já usado para o transporte de cargas pela MRS. Nada que escaparia de um planejamento sério para a expansão do transporte ferroviário, que é mais econômico, sustentável e ambientalmente indicado para as cidades.

É ter vontade e fazer. O engenheiro ferroviário Adelson Portela Martins provoca a CPTM ao dizer que hoje mesmo, a estatal poderia colocar uma “composição com dois a três carros, puxada por locomotiva, sem necessidade de duplicação da linha e eletrificação neste primeiro momento, para levar e trazer passageiros da Estudantes a César e vice-versa. Seria um teste e o embrião da circulação do subúrbio até o distrito”. Mas, para isso, a companhia teria de ter visão e o compromisso de cuidar do seu maior patrimônio: o passageiro.