ARTIGO

Dono da verdade

Diego Cápua

Foram algumas vezes aqui que falamos de redes sociais e da facilidade que hoje todos temos em dar opinião. Saímos de um tempo em que poucos tinham voz, para um mundo em que todos podem ter o seu espaço, algo que trouxe vantagens e desvantagens. O direito a opinião e expressá-la, claro, é excelente, inviolável e inatacável, porém, como sempre, o fator humano é que torna as coisas problemáticas. Hoje, infelizmente, algumas pessoas não conseguem compreender que opinião é diferente de razão, ou seja, que não é porque você acredita que algo precisa ser de determinado jeito, que ele tem que ser apenas daquele jeito.

Ainda estamos em um momento de aprendizado, ainda hoje estamos entendendo como funciona um mundo em que você pode ter voz e tem facilidade para encontrar quem pensa igual a você e, em decorrência disso, muitos estão esquecendo também do direito à individualidade, do respeito às opiniões e comportamento dos outros. Intolerância deve existir apenas quanto à prática de crimes, corrupção e injustiça, agora, à opinião do outro, jamais. Ninguém é o centro da razão, ninguém foi elevado ao ponto de conhecedor da verdade universal.

Sim, hoje o mundo é mais chato, não porque muita coisa mudou, mas sim porque há um número muito grande de pessoas que querem que você seja igual a elas. Para alguns, não basta você respeitar o próximo e a opinião alheia, mas você deve pensar e agir igual, caso contrário haverá um verdadeiro bombardeio tentando fazer você mudar a sua forma de ver determinado assunto. Não é por eu preferir laranja que eu tenho que te criticar se você gosta de maçã. Não vamos confundir a necessidade de olhar para nosso umbigo, com achar que o mundo gira apenas em torno dele. Tolerância pessoal, inclusive quanto a opiniões políticas.

Diego Cápua é advogado


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