PRESENÇA

Diego Novaes, o pianista que comanda o Boulevard Musical do Mogi Shopping

ARTISTA E PROFESSOR Diego Novaes toca piano desde os quatro anos e mescla obras clássicas com trilhas sonoras de filmes em suas apresentações presenciais e online. (Foto: divulgação)
ARTISTA E PROFESSOR Diego Novaes toca piano desde os quatro anos e mescla obras clássicas com trilhas sonoras de filmes em suas apresentações presenciais e online.

Quem o ouve tocar no Mogi Shopping não imagina que o piano é quase “uma extensão do corpo” de Diego Novaes. Nas palavras do artista e professor, que desde que se entende por gente vê a própria vida desenhada nas teclas de pianos, este instrumento é “tudo” e também significa “estudo diário, para sempre”. Aos 38 anos, enquanto planeja a gravação das próprias composições, segue com vários projetos na área musical e pode ser ouvido em diferentes endereços e também, mais recentemente, na internet.

Desde 2016 Diego tem sido visto e ouvido pelos frequentadores do Mogi Shopping, pela programação Boulevard Musical, às terças e quintas, das 16 às 18 horas. Ele também participa das lives do local, às 17 horas nas segundas. Essa agenda proporciona alguns encontros entre ele e o mogiano Antonio Freire Mármora, o maestro Niquinho.

Nascido e criado na vizinha Guararema, onde toca no restaurante Mirante do Paraíba, aos sábados e domingos, no horário do almoço, Diego começou cedo a relação com o piano, quando tinha apenas quatro anos. Tendo como avô materno um primo da pianista Guiomar Novaes, que construiu sólida carreira no exterior, não foi difícil para que o então menino ficasse entusiasmado com esta prática.

Guilherme Novaes, o avô, na verdade não tocava. Era, no entanto, um entusiasta da música, e percebeu que o guararemense tinha talento para a coisa. Foi seu maior incentivador no começo da trajetória musical, quando passou a estudar com o hoje falecido maestro Fernando Tancredi, primeiro fagotista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

Aos 7 anos pôs os pés pela primeira vez no Teatro Municipal de Guararema –que ainda está de pé, mas fechado há tempos-, e de lá para cá não parou mais.

O primeiro piano é uma lembrança feliz e triste, como Diego conta. Isso porque foi um presente do avô, mas um presente póstumo. “Ele deixou dinheiro separado para que comprássemos um piano quando falecesse”, lembra o pianista.

Ainda que seguisse com rotinas cada vez mais intensas de estudo, foi somente aos 16 anos que Diego passou a enxergar entre as teclas e a tábua harmônica uma oportunidade de trabalho. Nessa época, passou a tocar em restaurantes, sendo que em um deles nunca parou de se apresentar.

A visão mais madura o levou a estudar com outro de seus professores, o maestro Renato Figueiredo, em Guarulhos. Também aprendeu com Dikea Calafatas, formada pelo Conservatório de Paris, a reproduzir obras de nomes clássicos como Chopin, Schumann, Mozart e Beethoven.

Neste ponto, Diego já tinha se apresentado em muitos palcos, seja solo ou em trio, com amigos músicos. Mas até então sua trajetória não havia se voltado à Mogi das Cruzes, o que viria a mudar em 2015, quando tocou numa festa do Mogi Shopping.

Já experiente em tocar num piano de cauda, o artista impressionou, foi convidado para voltar e acabou sendo incorporado à agenda fixa do empreendimento. Foi lá que pôde fazer diferentes experimentações de repertório e também conhecer nomes da música mogiana, como Carlos Eduardo Zappile Albertini e o já citado maestro Niquinho.

O primeiro grande encontro com Niquinho foi um especial a dois pianos, com temas natalinos a jazz, MPB e música clássica, em 2017, mas houve outras parcerias deste então. “Essa experiência foi muito legal. Eu não o conhecia, mas nos tornamos amigos. É uma pessoa muito querida, que agora inclusive está muito feliz fazendo lives”, comenta Diego.

Aliás, repertórios variados são a especialidade dele, que mescla canções de filmes como ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’, ‘Os Intocáveis’ e ‘Em Algum Lugar do Passado’ com sucessos da Bossa Nova e sons clássicos. “Gosto de fazer músicas de filmes, como temas de filmes da Disney, por exemplo. Às vezes as crianças reconhecem e vem falar comigo. Minha intenção é chamar a atenção de pessoas de todas as idades”.

Por outro lado, Diego também compõe peças para piano, que já puderam ser apreciadas em concertos, no passado. Mas nenhuma delas está disponível para ser ouvida digitalmente ou em CD. Pelo menos não por enquanto.

“Não tenho nenhum CD, EP ou gravação. Esse é um projeto que preciso separar tempo pra me dedicar. Espero, até o final desse ano, soltar alguns vídeos no YouTube e Instagram”, promete o pianista.

Mas e as hoje tão comuns lives? “Tenho participado das atividades do shopping, que me fizeram enxergar a importância desse movimento, mas ainda não fiz nada nas minhas páginas”, responde Diego Novaes, que diz que este momento, de pandemia, reserva “tempos profissionalmente difíceis aos artistas” em todo o país e também em Mogi das Cruzes, onde ele mora hoje e diz que há muitos pianistas para se admirar.


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