O setor empresarial da região do Alto Tietê poderá ser beneficiado com a construção de um corredor intermodal, formado por rodovia, ferrovia e dutovia, que deverá interligar o Rodoanel à margem esquerda do porto de Santos e à rodovia Cônego Domenico Rangoni, na Baixada Santista. O autor da proposta da chamada Linha Verde é o Governo do Estado de São Paulo que lançou, recentemente, no Diário Oficial, uma Manifestação de Interesse Público (MIP), destinada a receber propostas e projetos para o novo complexo viário do eixo Planalto – Baixada.

O plano idealizado pela Secretaria de Estado de Logística e Transportes “visa criar uma nova matriz de logística no Estado que ofereça modelos mais eficientes no trânsito de cargas e mercadorias capaz de oferecer um ganho incalculável à nossa economia”, como afirma o secretário João Octaviano Machado Neto. O novo corredor viário servirá também, segundo ele, para desafogar o Sistema Anchieta-Imigrantes e até mesmo a ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Bertioga em épocas de grande movimento rumo às praias da Baixada Santista.

“Queremos criar condições para um escoamento mais rápido e seguro da produção. O nosso foco é o crescimento econômico de São Paulo e do País”, afirma Octaviano que prevê outros benefícios a serem oferecidos pelo novo complexo viário, como maior rapidez no escoamento da produção, melhor no fluxo de veículos e viagens mais rápidas, redução no tempo de abastecimento dos caminhões, diminuição do custo do frete, possibilidade de conexões com ferrovias que servem ao Estado, além de agilidade no escoamento das cargas de contêineres.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Diário, o secretário João Octaviano Machado Neto falou sobre o projeto a ser desenvolvido e executado por meio da iniciativa privada:

Como é esta proposta do governo do Estado de São Paulo?

Estamos fazendo um chamamento público para que interessados apresentem seus projetos para uma nova ligação entre o Planalto e a Baixada. Trata-se de um sistema multimodal que prevê rodovia, ferrovia e uma dutovia destinado  melhorar a performance da chegada de veículos de passageiros e de cargas ao Porto de Santos, já que hoje existe uma grande saturação, sobrecarga e limitação do Sistema Anchieta-Imigrantes e até da Mogi-Bertioga. Vamos aguardar as propostas serem apresentadas e selecionadas para compor o quadro final, de onde sairá a vencedora.

Será feita uma parceria com o governo estadual?  

Não será uma Parceria Público Privada (PPP), mas o futuro sistema será implantado no formato de concessão. O investidor realiza a obra e vai operá-la durante determinado tempo, obtendo receita por meio de pedágio e eventuais outras alternativas. Vale lembrar que tanto grupos nacionais como internacionais poderão apresentar propostas para esta que será a maior rodovia do Brasil em construção nos próximos anos.

Quais as características físicas deste futuro sistema viário?

Estamos deixando tudo isso em aberto para que os interessados possam idealizar a melhor e mais interessante projeto e modo de construção. Só há uma exigência: que o futuro corredor intermodal parta do Rodoanel, nas proximidades de São Paulo, o que deverá beneficiar a região de Mogi. Cada participante deverá estudar o traçado e apresentar o melhor projeto com suas variantes.

Qual o prazo para que isso seja apresentado?

A princípio, foi falado em dois meses para manifestação de interesse. Mas, feito isso, o prazo estará aberto entre seis e oito meses para apresentação dos rascunhos do plano de conexão entre Rodoanel com a Baixada.Em seguida, tudo isso deverá ser aprofundado.

Num momento de crise mundial como este, o senhor acredita que esta proposta possa despertar interesse junto ao mercado construtivo?

Tenho certeza de que o mercado reagirá positivamente. Esta é uma importante perspectiva de bom negócio. Afinal a infraestrutura é a grande alavanca para o crescimento. O governo de São Paulo tem norteado seu foco na construção concessionada de rodovias, como a do Parque do Caminho do Mar. O governo tem muita credibilidade e,por isso mesmo, tenho certeza de muitos irão se interessar. Será o maior projeto rodoviários dos próximos anos.

Como será atravessar  parte da Serra do Mar, com tantos questionamentos ecológicos dos dias atuais?

A engenharia nacional e internacional terá solução para tudo isso, como está acontecendo nas obras da Tamoios. Certamente haverá túneis e viadutos compatíveis com o traçado a ser escolhido. A engenharia sempre encontra soluções para os eventuais problemas. Veja o fazem os chineses com suas obras. E tudo acaba dando certo. Como acontecerá aqui para levar, em conjunto, a rodovia, ferrovia e um sistema de dutos até o Porto de Santos.