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Economia

Uma década Perdida: PIB per capita brasileiro derrete

A consequência desse empobrecimento per capita impacta de forma direta no consumo das famílias tornando o país menos interessante

Cláudio CostaPublicado em 12/04/2021 às 15:35Atualizado há 1 mês
Reprodução

Finalizando um ciclo de 10 anos, de 2011 -2020, o Brasil viu sua renda per capita derreter perdendo 8 posições no ranking mundial, passando do 77º. para 85º, dos 190 países pesquisados.

Este é o resultado de um país que passou por um ciclo bastante conturbado envolvendo crise económica, impeachment, pandemia entre outros, mas que acima de tudo colocou todas as sua fichas na comercialização de commodities, deixando de lado políticas industriais que pudessem colocar o país de vez na rota do desenvolvimento económico sustentável.

Para termos uma ideia do tamanho da perda, a Coreia do Sul ganhou 10 posições neste mesmo período passando da 37º. para a 27º. A mesma Coreia que no início dos anos de 1980 tinha metade da renda per capita do Brasil.

O que mudou neste período é o fato do Brasil acreditar que suas riquezas naturais, incluindo o agronegócio, fossem capazes de suportar um crescimento acima de 6% ao ano e deixaram de lado a industrialização do país que vinha crescendo até então em números bastantes expressivos.

A Coreia do Sul, pelo contrário, investiu maciçamente na industrialização do país e acima de tudo na qualificação de sua mão de obra tornando se hoje um dos grande players da inovação.

Nos últimos 40 anos os números mostram que enquanto o agronegócio brasileiro cresceu, em média, 3% ao ano o setor industrial, no mesmo período decreceu em média 0,5% ao ano.

A consequência desse empobrecimento per capita impacta de forma direta no consumo das famílias tornando o país menos interessante por parte dos investimentos estrangeiros que buscam novos mercados para comercializar seus produtos. Menos investimento significa menos recursos e menos emprego tornando-se um círculo danoso para o crescimento sustentável aumentando as desigualdades sociais de maneira geral.

Naturalmente com menos recurso estrageiro a moeda local se desvaloriza frente a outras economias obrigando o governo a incrementar suas taxas de juros para atrair recursos estrangeiros especulativos na sua maioria.

Resumidamente não podemos continuar a deriva nesta trágica rota de empobrecimento.

Para sair do atoleiro não tem segredo e temos amplo conhecimento do que precisa ser feito. Precisamos sim de vontade política de encararmos o desafio e conclamar os diversos segmentos da sociedade para de vez termos um plano de país e de governo.

A hora e a vez é agora.

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