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Análise

Precisamos Gerar Oportunidades

Não há sinal claro ou iniciativa do governo para discussão de programas sociais e de inclusão que possam minimizar perdas

Cláudio CostaPublicado em 26/05/2021 às 18:53Atualizado há 20 dias
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Não há dúvidas que a gestão da pandemia no Brasil foi totalmente desastrosa e continuamos a atuar de forma agonizante gerando um recorde de pobreza no país atingindo a marca de 14,5 milhões de famílias.

Fica claro que tomamos uma decisão equivocada de imunização do chamado “rebanho”, em que, ao invés de darmos um choque de distanciamento com consequente vacinação em massa, preferimos estimular o negacionismo e deixar a contaminação imunizar os sobreviventes.

A prova disso é o número de contaminados em cidades mais negacionistas chegando a mais de 10.000 para cada 100 mil habitantes contra pouco mais de 3.000 para cidades menos negacionistas. Neste sentido, estima-se que poderíamos ter poupado algo em torno de 300 mil vidas.

O Brasil já vinha com perda de renda significativa nos últimos anos em função de recessões que ocorreram em 2008, 2014 e 2016 e a pandemia fez com que, principalmente, a mão de obra informal ficasse totalmente desamparada.

Não existe atualmente nenhum sinal claro ou iniciativa do governo para discussão de programas sociais e de inclusão que possam minimizar estas perdas, pelo contrário, o governo federal quando decide postergar o censo de 2021 dá um sinal claro de não querer saber como a sociedade brasileira está vivendo e como consequência escancarar sua incompetência na gestão do problema justamente em um período eleitoral.

Se queremos evoluir para melhor precisamos, urgentemente, convocar a sociedade para discussão de programas sociais que não se atenham somente a fornecimento de cestas básicas e distribuição de auxílios emergenciais, mas sim de criarmos formas e ações que possam gerar oportunidades de trabalho e renda para toda a classe trabalhadora em todas as classes etárias.

Somos 220 milhões de habitantes e somente 40 milhões estão formalizados com carteira assinada. Somado a isso temos mais 12 milhões de micro e pequenos empresários totalizando assim 52 milhões. Sabemos que cerca de 60 milhões receberam auxílio emergencial em 2020, número este que surpreendeu o próprio governo demonstrando claramente a fragilidade da nossa economia.

Se analisarmos o problema de forma regional, sabemos também que entre 35% a 40% da população do Alto Tietê recebeu ajuda do governo federal em 2020, número este bastante expressivo.

Sabemos que quanto mais cedo atingirmos um número elevado de imunizados a retomada económica virá forte e robusta e precisamos estar preparados para esta janela de oportunidade. Precisamos urgentemente convocar os segmentos da sociedade e juntos prepararmos um plano de ação que seja capaz de gerar oportunidades de trabalho e renda para as diferentes faixas etárias de forma a estancar as perdas e de forma digna proporcionar um novo começo para todos.

Já que o passado se mostrou desastroso, o futuro se mostra promissor e precisamos garantir que ele aconteça da melhor forma possível.

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