NOVO CORONAVÍRUS

Diagnosticado com Covid-19, coordenador do Cresamu de Mogi relata experiência

SITUAÇÃO Luiz Bot foi diagnosticado com a Covid-19 após teste feito na semana passada está em isolamento. (Foto: arquivo)

O coordenador médico do Consórcio Regional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Cresamu), Luiz Bot, cumpre isolamento domiciliar desde a última quarta-feira, quando acordou com fortes dores no corpo e de cabeça, após uma noite mal dormida, com sudorese e nariz congestionado. “Fui ao banheiro, peguei a pasta de dente e não senti o cheiro. Tomei banho, coloquei a roupa e máscara e chamei minha mulher, que me falou que eu estava com muito perfume. Mas eu não sentia cheiro algum. Como atendo no Hospital Biocor, fui lá, suspendi a agenda, que incluía até cirurgia no dia seguinte, e colhi exame de sangue. Na quinta-feira, fiz o teste swab (cotonete) a ressonância no Hospital Santa Maria, em Suzano, voltei para casa e me isolei. O resultado positivo para a Covid-19 veio na tarde de sexta-feira”, relata.

Além de Bot, dois plantonistas do Samu estão afastados do serviço após terem sido diagnosticados com a doença, que já afetou 30% do quadro formado por 36 médicos. “A maioria também trabalha em hospitais, então não é possível saber como ocorreu a contaminação. No meu caso, como fico na área administrativa do Samu e não na parte assistencial, acredito que tenha me infectado fora de lá”, explica ele, que também atua nos hospitais Santana e Luzia de Pinho Melo, em Mogi, e Santa Maria, na cidade de Suzano.

Em casa, o médico está isolado em uma suíte de 25 metros quadrados, isolado da mulher e dos dois filhos, com a companhia de uma televisão, computador e internet. “Minha esposa me traz as refeições, eu pego a bandeja usando máscaras, me alimento e a devolvo na porta. Não tenho contato com ninguém. No final de semana, as dores no corpo pioraram, mas hoje (ontem), só sinto mesmo a perda total da sensibilidade de olfato. A sensação de cheirar e tomar café é de beber uma água quente e doce. Não tive febre e nem falta de ar, estou com a forma branda da doença, mas comprei um oxímetro e monitoro minha saturação, que está sempre acima de 93%”, conta Bot, que vem sendo medicado com Clexane, Azitromicina e Meticorten, conforme protocolo do Hospital Santa Maria, o mesmo seguido pelo Albert Einstein, de São Paulo.

O exame deve ser refeito na segunda-feira e o médico pretende retomar a agenda, parcialmente mantida com atividades online, no final da próxima semana. “Precisei suspender alguns compromissos, mas continuo trabalhando por email, fazendo videoconferências e dando as aulas”, destaca o médico, que é professor da disciplina de Gastrocirurgia e do Internato dos alunos do 5º ano do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

Na avaliação de Bot, a atual fase da doença na cidade corresponde ao início da segunda onda. “As pessoas confundem relaxamento com liberação. Uma coisa é passear na praia, outra é fazer piquenique na areia. Retomar as atividades de rotina de cada um é diferente do relaxamento excessivo. O segundo ponto é achar que a situação está melhorando, com menos internações e mortes, e relaxar na própria proteção. No Samu, seguimos um protocolo rígido, mas mesmo assim, fiz reunião pela internet com todos os médicos do Samu pedindo que não relaxem nas medidas, principalmente no uso do álcool em gel e na lavagem das mãos a toda hora, assim como na higienização da ambulância e equipamentos. É preciso lembrar que isso tudo não acabou”, alerta.


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