EDITORIAL

Depois da pandemia

Sexta pandemia em apenas 20 anos, a Covid se distanciou das demais em vários aspectos. A começar pelo grande poder de contágio, a vulnerabilidade de determinadas parcelas da população ao vírus (os mais velhos e com doenças preexistentes) e a rapidez com que se espalhou pelo mundo.

A Covid-19 entrará para a história como uma doença contagiosa responsável por romper padrões em todas as áreas humanas – saúde, comunicação, educação, trabalho, etc.

No passado recentes, com as gripes que ficaram conhecidas como aviária e suína, as autoridades médicas e de outras ciências não encontraram tanta resistência para lidar com o negacionismo, as falsas notícias, a divisão ideológica entre a população e grandes líderes. Tudo o que influenciou no combate ao vírus.

Os gestores públicos atuais e no futuro terão de se preparar para essas realidades. Esse foi o norte do 3º Encontro de Planejamento e Urbanismo realizado pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), na semana passada.

Agentes regionais começaram a discutir o que será preciso fazer para as cidades se prepararem para epidemias e pandemias, que podem acontecer de uma hora para outra.

Há uma tendência é encurtar o período entre epidemias e pandemias por um motivo conhecido: o homem convive cada mais com espécies silvestres, que carregam consigo vírus desconhecidos e potentes o suficiente para encontrar um hospedeiro, se multiplicar e criar uma nova doença.

Países, estados e cidades precisam encontrar meios para rapidamente se adaptarem e, por exemplo, criarem hospitais de campanha mais baratos e eficientes.

“A grande questão é como mudar o funcionamento das cidades e torná-las mais resilientes às pandemias. Reverter a urbanização não dá, principalmente se pensarmos que 96% da população do Estado de São Paulo vivem em áreas urbanas. O caminho, então, é entender as dificuldades, pensar que nas cidades que funcionam as pessoas são mais felizes e mitigar os efeitos das pandemias. Existem, por exemplo, instrumentos de uso do solo inteligente que permitem as pessoas se deslocarem menos”, afirmou o engenheiro civil Claudio Bernardes, presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP, no encontro promovido para discutir como as cidades vão se preparar para o futuro.

Esse debate não pode ser protelado. A perda de mais de 142 mil brasileiros, o apagão na educação pública e o comprometimento econômico foram caras lições da falta de visão do planejamento recente para o que poderia ocorrer e aconteceu.


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