CULTURA

Dança, humor e arte circense em família

Comediante Marcio Pial transformou o quintal de casa em palco para shows. (Foto: Divulgação)
Comediante Marcio Pial transformou o quintal de casa em palco para shows. (Foto: Divulgação)

Em época de isolamento social, o público já se acostumou com palco digital para shows e concertos musicais. Porém, quando o assunto é teatro, dança ou outras manifestações artísticas, o que costuma-se ver é a reexibição de espetáculos gravados ao vivo. No entanto, artistas como o mogiano Marcio Pial têm se esforçado para trazer conteúdos originais. No caso dele, que posta artes circenses e performances de break dance e humor, tudo isso acontece em família. E em casa.

Pial vive da arte desde 2006, quando começou a trabalhar com comédia e fazer acrobacias de hip-hop no Circo Roda Brasil, onde também foi palhaço. Atualmente, é professor da Casa do Hip Hop de Mogi das Cruzes e também na Escola de Artes AJPS. Portanto, tem dezenas de alunos, sobretudo jovens, que não poderiam ficar sem conteúdos novos.

Para alimentar a garotada, o primeiro post foi uma foto, que simulava o artista numa prisão. “Era como se eu estivesse trancado, com uma roupa listrada, que parece de presidiário. Marquei na parede ‘Coronavírus, sete dias’, e depois isso virou um vídeo igual documentário americano, dublado, feito em parceria com a Raciocinando Filmes”, conta o artista, que nomeou o projeto como ‘Prisão Break’, uma paródia ao seriado americano ‘Prison Break’.

Na sequência, vieram tutoriais para todos os públicos, como os de malabares, que mostram não somente a prática circense como a fabricação das bolinhas. “Pode misturar arroz cru com farinha de trigo ou areia/terra e colocar dentro de uma bexiga. Corta o biquinho e enche até virar uma bolinha, depois passa fita crepe, ou então enrola com outra bexiga”, explica Pial, cujo objetivo não é somente “ensinar a pescar o peixe”, mas sim “mostrar o caminho das pedras”.

Os vídeos querem “botar a mente” das pessoas “para trabalhar”. “Damos o caminho, como por exemplo mostrando como varrer a casa dançando, como fazer uma tampa de panela e uma concha de feijão virar um carro imaginário, ou como brincar com um sofá, que pode virar um biombo, um elevador imaginário… A partir daí vai da criatividade de cada um”.

Enquanto falava isso para a reportagem de O Diário, Pial estava de frente para um cabide, e já vislumbrava o que ele poderia virar. “Poderia ser um guidão de moto, que se tiver uma lanterna na ponta dá para brincar de noite…”.

Assim, com leveza e energia de criança, ele comanda os vários vídeos que posta, ao lado da família, formada pela esposa Adriana e pelos filhos Eloá, de 7 anos, e Vitor, de 12 anos, com quem tem inclusive um show de humor e dança que antes da pandemia rodava os palcos da região, ‘Eu Sou Seu Pai’.

“Fazemos números com acrobacias e outras coisas. As ideias saem dos estudos de palhaço que misturo com danças urbanas e hip hop”, diz o pai da família, que decidiu “costurar” um número em que a caçula é a protagonista e outro em que o filho é quem brilha com outras interações entre todos e assim montou o ‘Feito em Casa – Espetáculo para Assistir na Quarentena’, lançado no sábado último nas redes sociais @omarciopial.

Com cerca de uma hora de duração, o material estimula a hashtag #ficaemcasa e deve ser reprisado, com adição de números diferentes. Além disso, a família toda está pensando num segundo show, para o Dia das Mães. E devem vir muitas outras publicações, para mostrar como é divertido brincar em família.

Criar conteúdo é uma forma de “respiro”

Todas as atividades online de Marcio Pial são acompanhadas por um link para pagamento facultativo de um “chapéu virtual”. Segundo ele, as transferências têm sido satisfatórias e ajudam a manter as contas em dia, mas “o que dá o respiro é sempre estar em atividade com a meninada”.

A “meninada”, além da audiência, são os próprios filhos, Eloá, de 7 anos, e Vitor, de 12, com quem tem várias ideias. Uma delas é “ensinar a galera de casa como brincar de mímica, como improvisar”.

Outro dos projetos é um número de standup, já que Pial também é versado na arte da comédia em pé. “A galera desse movimento não tem produzido muito, pois dependem do riso. Como eu já estou acostumado a fazer comédia com o corpo e a dança, penso em divulgar histórias mais leves na internet”.

Mas e o público? “Vou fazer uma plateia por aqui. Tenho cadeiras e almofadas, e vou colocar bonecos, como o Thor, o Hulk, o Michael Jackson, todos separados e com máscara, claro”, brinca ele, que também quer imprimir alguns rostos e espalhar dentre os “convidados”.

A brincadeira toda acontece no quintal da casa dele, que virou cenário com direito a sofá, materiais de circo, palco e até mesmo uma cortina de teatro. “Espero que um ponto bom dessa pandemia seja ver a galera perceber que dependemos da arte, passando a valorizá-la mais”, finaliza o comediante, que espera levar todos os conteúdos criados em casa para o palco, assim que o mundo for um lugar mais seguro.


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