Inicialmente pensada para ser presencial, a turnê ‘Púrpura Dois’, de Valéria Custódio, precisou ser modificada em função da pandemia. Antes de se tornar online, o plano original, financiado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), previa shows em seis cidades – Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim, Poá, Jacareí, São José dos Campos e a capital. Com a reformulação, não apenas mais pessoas foram atingidas como também gente de outros endereços, inclusive de outros países. E tudo isso está registrado em ‘Púrpura: de Presencial a Virtual’, mini-documentário possibilitado por recursos da Lei Aldir Blanc  que será lançado nesta quinta-feira, dia 28, às 20 horas, pelo YouTube.

O filme mostra a transformação de um projeto, já que uma apresentação chegou a ser realizada, na praça São Benedito, em Biritiba Mirim, pouco tempo antes do início da quarentena, para três mil pessoas. A partir do decreto que previa o isolamento social, toda a turnê foi repensada. Valéria decidiu, com todos os cuidados necessários, fazer lives, mas diferente de outros artistas, apostou na manutenção do formato tradicional.

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Na tela, os desafios e as tensões de sair, durante o período de mais temor em relção a Covid-19, em uma turnê com banda. As imagens registradas por Mauricio Noro vão além dos concertos e tecem a narrativa real de “como a arte sobreviveu ao caos de uma crise econômica sem precedentes no país”.

Gravados em teatros vazios, os shows alcançaram mais de oito mil pessoas pelas redes sociais, incluindo gente da França, Alemanha e Portugal. Parte do público do exterior vem da participação da mogiana no festival internacional Ethno Brazil, em 2019. 

A fotografia da obra revela os sentimentos de todos os músicos e produtores envolvidos. Por exemplo: o público poderá acompanhar, ao som de trechos das seis músicas que compõem o EP ‘Púrpura’, gravado no Estúdo Municipal de Áudio e Música (Emam) em 2018 e lançado em 2019, depoimentos sobre a situação da classe artística durante o período pandêmico.

Entre os bastidores de uma agenda inédita e “matérias de jornal que registram o momento”, a cantora mogiana, de 25 anos, acredita que o mini-documentário seja um produto maior que a própria música. “É para a posteridade não esquecer o que aconteceu em 2020”, diz ela, que prega a continuidade do uso de máscaras e álcool gel. “Se mais pessoas fizessem isso e distribuíssem mensagens de carinho, estaríamos mil vezes melhor”, opina. 

Contudo, a intenção de Valéria não era necessariamente produzir um documentário. Quando da época do início da turnê, ela conversou com Mauricio Noro, (creditado como produtor e diretor geral e de fotografia) e combinou o registro das imagens, gravadas entre março e setembro. O que elas se tornariam, porém, só o tempo revelaria.

Recentemente contemplada pelo Prêmio Funarte Respirarte e também pelo I Prêmio História da Música Mogiana, a mogiana atribui à Lei Aldir Blanc o formato que o projeto tomou. Selecionada em um edital municipal desta lei, ela diz que foram os recursos recebidos do governo federal que financiaram “a edição das imagens e do som” e também a divulgação, de modo geral. 

Além de Valéria e Noro, as imagens também mostram Anderson Karvalho e Thiago Costa. Este último nome é um dos principais entusiastas de ‘Púrpura’, tendo escrito a canção ‘Flores Pretas’ – premiada pelo 6º Festival da Canção de Mogi- com Valéria.

Para assistir, basta ficar ligado no canal do YouTube da cantora. No Facebook dela já está disponível o teaser oficial.