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DESPEDIDA

Vítima da Covid-19, Lúcio Negrão, o Elvis Presley mogiano, é sepultado

Morto após sofrer uma parada cardíaca, foi enterrado na tarde desta segunda-feira (31) o cantor conhecido por interpretar o rei do rock

Eliane JosePublicado em 31/05/2021 às 14:19Atualizado há 15 dias
Reprodução - Facebook
Reprodução - Facebook

O músico mogiano Lucio Negrão morreu  nesta segunda-feira (31) após sofrer uma parada cardíaca. Ele vinha tratando as complicações da Covid-19 desde meados deste mês.. Conhecido como o Elvis Preslley mogiano, dono de uma peculiar voz grave, ele fez carreira musical em Mogi das Cruzes, Guarulhos e São Paulo, onde residiu durante dez anos, antes de retornar à cidade, e se popularizar com as apresentações caracterizadas pelo capricho do repertório do rei do rock, nas vestes, botas, maquiagens e no topete inconfundível. Era um cover reconhecido pela semelhança com o ídolo.

Nas redes sociais, amigos e fãs do artista lamentaram mais essa perda para o coronavírus. Desde o ano passado, Mogi das Cruzes enumera mais de 1,2 mil vidas perdidas para a doença que, em uma parte dos casos, provoca graves intercorrências na saúde dos pacientes.

Foi o caso do cantor, que permaneceu intubado durante alguns dias, até vir a falecer. Lucio Negrão deverá ser sepultado em Mogi das Cruzes, em horário ainda a ser confirmado. Ele estava internado em um hospital em São Paulo.

Em rede social, o filho dele, Gabriel Meira, que também é músico, informou que Lucio Negrão falecou às 7h06 de hoje (31), após uma parada cardíaca. 

O filho agradeceu as orações e o carinho dos amigos, que acompanharam, pelas redes sociais, a trajetória do tratamento do pai, "Agradecemos a  todos as orações e egregoras que se formaram a frente dessa batalha física e espiritual, foi feita a vontade do Pai Maior. Que possamos nos lembrar sempre da luz e alegria que meu pai transmitia com sua voz Sua missão continua pai. Gratidão por me dar a Vida e me acolher sempre que precisei, meu porto seguro, meu ídolo. Te amo eternamente", disse o filho.

Trajetória

Em entrevistas, Lucio Negrão contava particularidades da carreira iniciada ainda na infância, dentro de casa, onde o contato com a viola caipira era rotina: o pai dele era cantor sertanejo.

Aos 13 anos, ele já se apresentava em festivais. Fã de cantores desse mesmo estilo, ele contava que, por muito pouco, não teve como padrinho musical o cantor e compositor de músicas românticas Paulo Sérgio (1944-1980), que o viu cantar, gostou e deu a ele o telefone de uma gravadora.

O problema é que Paulo Sérgio morreria poucos dias depois desse encontro, mas isso não desencorajou o artista, que se mudou para São Paulo, onde trabalhou e morou em bairros como Pinheiros e Lapa.

Na década de 1990, ele retornou a Mogi das Cruzes, e começou a se apresentar em casas noturnas e na Pizzaria Cantoria, um endereço que trouxe muitos músicos à cidade.

Desde então, se tornou figura conhecida em bailes, festas e shows, com repertório que agradava pela facilidade com que ele interpretava grandes nomes da música de todos os tempos.

Integrantes de fã-clubes de Elvis Presley sempre o acompanhavam, porque reconheciam a semelhança e a dedicação dele ao ídolo do rock.

Valcide Vieira, amigo e proprietário da Pizzaria La Torre, na avenida Japão, conta que o músico era "o nosso Elvis Presley brasileiro. Uma pessoa fantástica e muito conhecido dos mogianos que frequentam a noite da cidade".

Vieira afirma que o músico era companheiro e dono de uma grande cartela de amigos e fãs. "Muitos iam à pizzaria por causa dele, dos shows", comentou.. 

Em 2018, por exemplo, ele dirigiu e protagonizou o show ‘As Faces de Lúcio Negrão’, passando por Roberto Carlos, Elviz e Sidney Magal, todos devidamente caracterizados.

“Escolhi fazer este tributo aos ‘reis’ não só por gostar muito do trabalho deles. Suas canções fizeram parte da minha vida adolescente, e fazem parte da minha vida profissional também. Sendo assim, o show revive também a minha trajetória”, contou Negrão, a O Diário, na época.

Essa amplitude do repertório era reconhecida por fãs que sempre o acompanharam. Negrão contava que começou a carreira nos anos 1980. Na década seguinte ele passou a fazer imitações, que nos anos 2000 se transformaram em covers.

“Devido a minha voz grave, nos barzinhos eu costumava imitar Oswaldo Montenegro, Benito di Paula, Emílio Santiago e Tim Maia. O Elvis veio mais tarde, numa apresentação em que só o dublei. E nunca mais parei. Pelo contrário: a partir de 2015 resolvi intensificar e homenagear também outros artistas”.

Conhecido da noite mogiana e regional, ele teve ao seu lado, neste show, a banda América. Mas, como atuou durante muito tempo em shows e festas, ele dividiu o palco com diferentes músicos ao longo da carreira.

O músico residia em Braz Cubas, e foi sepultado às 16 horas, no Cemitério da Saudade.

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