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VEJA A HISTÓRIA

Rapper mogiano 2P constrói um legado de rimas

Conheça a trajetória, os sonhos e as músicas de Paulo Pimentel, o 2P, que canta rimas agressivas, românticas e reflexivas

Heitor Herruso Publicado em 12/09/2021 às 10:32Atualizado há 16 dias
Divulgação - Mary Brito
Divulgação - Mary Brito

Agressivas, românticas, reflexivas. As palavras, para Paulo Roberto dos Santos Pimentel, têm muitos significados. Com o nome artístico ‘2P’ ele as transforma em rimas, em músicas, em mensagens. É como rapper que ele, mogiano criado no Conjunto Jefferson, se liberta. É como rapper que tenta mudar o mundo.

A história de Paulo, 26 anos, é mais uma prova do que se costuma dizer por aí: “o rap salva vidas”. Quando tinha 10 ou 11 anos, teve o primeiro contato com esse gênero musical. Mais tarde, se envolveu “com coisas erradas”. Mas o rap, assim como faz com tantos outros, o resgatou.

“Se não fosse o rap não estaria aqui hoje, provavelmente. Estaria preso ou morto”, diz ele. Pesado, o depoimento é necessário para entender o som que ele faz. Em 2018, ainda como ‘Paulo MC’, o mogiano lançou um EP, ‘Tudo Black’. Agressivo, o trabalho transbordava raiva sobre temas como preconceito, racismo, desigualdades, violências.

A brutalidade amadureceu para um novo momento. Agora sob a alcunha de ‘2P’, o rapper se permite falar de outros temas. A reflexão ainda está lá, como tem de ser. Mas a sonoridade experimenta novos elementos, ritmos e beats para trazer mensagens de amor de compreensão, de reflexão.

Todos os novos lançamentos foram gravados no Estúdio Home Popular, do também rapper mogiano Marcos Favela, a quem 2P considera como “mestre e professor”. O primeiro single desta nova fase é ‘Tipo Bonnie & Clyde’, de 2019.

Esta canção surpreende ao apresentar uma letra de amor. “Se você acompanhar meu trabalho, tenho bastante letras agressivas, mas vira e mexe vai encontrar love song. A gente acaba fazendo o que a gente gostaria de ouvir. E eu consigo fazer as duas coisas: ser agressivo e falar de política quando precisa, mas também falar de amor. Porque falar de amor também é protesto”, define 2P.

Entre o lançamento de ‘Tipo Bonnie & Clyde’ e ‘Tio Phill’, em junho deste ano, houve outras músicas. Mas essa última merece destaque. Lembra dele? Tio Phill, o Philip Banks, tio de Will Smith em ‘Um Maluco no Pedaço’. “Ele é uma referência enorme. Um cara bem sucedido, negro que veio da periferia, veio de baixo, e conseguiu vencer na vida”, explica 2P.

A música fala, então, de superação. E de quebra ainda mostra a missão do rapper: “colocar Mogi no topo”. Das novas faixas, é a mais impactante, mais agressiva.

Já a próxima, ‘Talvez’, surpreende ao apresentar rimas firmes e duras, mas novamente sob o contexto do amor. Aqui, o flerte do mogiano com a poesia, que apareceu com uma fala de Tio Phill ao final da música anterior, amadurece. 

Isso porque, em parceria com o Poeta JL, a letra tem rimas versadas e também declamadas. “Ele queria fazer uma love song também. Dei a ideia de falarmos do término, do lado triste e doloroso do amor, pois a gente vê pouco disso no rap”, conta 2P. 

A sequência leva o ouvinte a ‘Puskas’, um trap explícito, que também fala de relacionamentos, mas de um jeito mais devasso. “É bem diferente, mais voltado para a curtição. Não tenho como fugir dessa onda mais jovem, que é da minha geração”, explica o cantor, que não deixou de colocar suas marcas na faixa, como a referência a um prêmio do futebol e também ao universo de Harry Potter. 

Aliás, não é só nesse single que isso acontece. “Em toda música que eu faço, pelo menos uma linha é baseada em alguma coisa minha, algo que eu vivi”. 

Falando sobre a vida, em três anos, 2P ganhou cachê apenas uma vez. “R$ 110, para cantar em um evento da Consciência Negra”, lembra. Portanto, Paulo Roberto dos Santos Pimentel não ganha dinheiro com rap. O faz porque ama. Trabalha como porteiro em uma empresa de segurança. Mas segue o sonho. 

“Se você ama o que faz, não vai abandonar porque não ganha dinheiro. Vai arrumar um jeito de sustentar de outra forma. Hoje não tenho ambição de ficar rico com rap. Quero deixar um legado”. 

É possível ouvir o legado em construção tanto no YouTube como no Spotify.

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