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Rap com orquestra: Niw Rapper, de Mogi, lança nova versão para a música 'Hey Negra'

Dedicada “à todas as rainhas de cabelo black power do país”, a faixa é apresentada com arranjos da Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes

Heitor HerrusoPublicado em 19/11/2021 às 18:23Atualizado há 10 dias

Uma combinação inusitada marca este Dia da Consciência Negra em Mogi das Cruzes. Uma música de Niw Rapper, dedicada “à todas as rainhas de cabelo black power do país”, foi tocada junto da Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes. É isso mesmo. Rap com instrumentos da música erudita. O resultado será disponibilizado neste sábado, no YouTube, onde já estão outros hits do cantor.

A apresentação, registrada pela Rolo B Cine, aconteceu em outra ocasião especial. Foi no primeiro dia de setembro, aniversário em comemoração aos 461 anos de Mogi, que ‘Hey Negra’, uma das cinco faixas de um EP lançado em 2020, ganhou novos arranjos.

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“Foi fascinante. Porque desde que eu lancei o CD, não tinha cantado com o público ainda. Aí me surgiu o convite de cantar com a orquestra. Nunca toquei nem com banda, não tinha noção do que seria. Só falei que ‘firmeza’. Então o maestro (Lelis Gerson) entrou em contato comigo”, conta Niw.

A magia também esteve presente no único ensaio, realizado na véspera do grande dia, no auditório do Centro Municipal de Formação Pedagógica (Cemforpe). “Outros artistas também participaram dessa apresentação, cada um com sua música. Mas se não me engano a minha foi a única autoral, e por isso mobilizou todo mundo. Eles nunca tinham feito rap com orquestra. Eu também não”.

Bastou uma tentativa para que tudo saísse como o planejado. “Coloquei minha filha para cantar, ela não errou. O maestro começou a tocar, ninguém errou”, conta Niw, empolgado com o lançamento em vídeo.

Essa é a novidade, para além dos arranjos. O clipe. ‘Hey Negra’ já está nas plataformas digitais há algum tempo, mas agora ganha nova energia com imagens inéditas. Uma prévia acompanha esta reportagem.

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“A velocidade da música é diferente. A base eletrônica é diferente da base eletrônica, a adaptação do vocal, a forma de cantar, tudo. Eu conseguia ouvir cada instrumento, uma parada muito mágica que eu nunca imaginei. 50 pessoas para fazer uma música, e eu ali na linha de frente com microfone. Minha prima, Miriam Black Boni, representou totalmente nesse dia e cantou comigo”, lembra o rapper.

Dedicada à mãe, às irmãs, às primas, às tias e “à todas as rainhas de cabelo black power do país”, a música mostra a importância de assumir o corte de cabelo enrolado, como ele é por natureza a quem tem a pele escura.

“Esse som vem de uma vivência muito forte. Minha mãe alisava o cabelo de todas as mulheres da família quando eu era criança, e vi naturalmente o processo de transição capilar delas, que usam black power hoje em dia”, explica Niw.

Lançar uma versão especial desta música no dia 20 de novembro, quando é celebrada a Consciência Negra – data que já foi aprovada pela Câmara Municipal para virar feriado em Mogi a partir de 2022 -  tem um motivo.

Os versos rimam sobre “o peso muito importante da transição capilar”, a “coisa de se achar bonito sendo quem você é, sendo natural”. Questões com quais sofrem as mulheres, principalmente as mulheres de pele preta.

Além de assistir a própria mãe “alisar o cabelo da família inteira e de clientes”, Niw cresceu vendo “tratamentos químicos que deixam o cabelo liso, mas estourado”. “Antes de compor fiz pesquisa com amigas minhas sobre o que foi para elas essas transição. Uma delas chegou a comentar sobre quando foi cobaia pra testar um produto novo, para provar que ele alisava. Realmente alisou, mas no outro dia o cabelo caiu todo”.

No primeiro dia de setembro, o rapper mogiano chegou a ouvir outro depoimento. “Uma pretona de cabelo liso chegou pra mim e falou: ‘eu ainda uso chapinha, não briga comigo’. E eu disse: ‘você falou ainda’. Minha música chegou nela, e a ajudou a pensar que pode ser linda naturalmente”.

É esse o tipo de reflexão que ele espera provocar neste final de semana. Isso porque, além do lançamento deste sábado, no domingo (21), ele se apresentará pelo 9º Festival de Culturas Pretas de Mogi das Cruzes. Será às 15 horas, no Parque da Cidade, após Teatro de Animação da Cia. Liruê, às 11 horas, no Parque Centenário. E às 19 horas haverá outro show musical: Moela de Gata canta Geni Magalhães, no YouTube da Secretaria Municipal de Cultura.

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